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Cahora Bassa - afinal, é possível!

 

Após duas campanhas de flagelação popular no Zambeze, homens e elementos conseguiram chegar a um acordo hidrológico que, finalmente, restituiu ao Rio muita da paz que lhe haviam extorquido.

 

A cessação das indizíveis hostilidades registadas nas duas últimas estações-de-chuva (2006/07 e 2007/08) resultou da subtil resistência popular contra os sucessivos desmandos economicistas no Zambeze e, segundo consta, o acordo só foi possível porque, à entrada da actual estação de chuvas 2008/09, dois dos principais intervenientes aceitaram cortar excessos:

 

os elementos escoaram-se mais moderadamente e, em Cahora Bassa, os gestores decidiram-se por mais prudência nos encaixes e descargas.

E a diferença que 1 metro-mês fez!

 

Frágil, porque ainda infante, este acordo terá que ser generosamente acarinhado … e vitaminado até!

Não só porque ele já ajuda a doutrinar prudências face a riscos mais gravosos, mas também porque, ao transcender o vulgar economicismo hidroeléctrico, o acordo potencia decisivos avanços na vitalidade do Rio Zambeze.

 

Cá por mim, embora continue pródigo em carinhos, já me escasseia é vocação Calcutá, pelo que, três estações-de-chuva depois, aqui me despeço deste tristíssimo assunto Cheias Zambeze – e em definitivo espero eu,

porque, afinal,

vocês podiam,

e podem!

 

josé lopes

 

março 4, 2009

Vale Zambeze - março 1, 2009

 

Gestão de Riscos

 

“Podemos ter uma ideia clara quanto às consequências de um acontecimento, mesmo que não saibamos quão provável possa ser a sua ocorrência. Eu não sei quais são as probabilidades de um terramoto (ou de afluências hídricas extremas n.e.) mas posso imaginar como San Francisco (ou o Zambeze n.e.) poderá ser afectado por tal acontecimento.

 

Esta ideia de que para produzirmos uma decisão é necessário focarmo-nos nas consequências (que sabemos quais são) ao invés da probabilidade (que não podemos saber) é a ideia central da Incerteza.”

 

Nassim N. Taleb (in The Black Swan)

Curiosidade

 

Aquando das catastróficas cheias de 2006/07 a HCB (Hidroeléctrica de Cahora Bassa) era ainda maioritariamente controlada pelo Estado de Portugal e, na ausência de regulamentação específica moçambicana, pareceu-me lícito deduzir que a exploração do empreendimento fosse, de algum modo, balizada pelas normas portuguesas aplicáveis.

 

E porque à luz das gravíssimas consequências que à época se registavam me interessava confrontar a gestão de Cahora Bassa com o Regulamento de Segurança de Barragens português, solicitei à HCB e competentes autoridades portuguesas uma resposta à seguinte pergunta:

 

“Embora situada em Moçambique, a exploração da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa está ou não sujeita às disposições do Regulamento de Segurança de Barragens actualmente em vigor em Portugal?”

 

Muito tempo depois, o Ministério do Ambiente de Portugal (MAOTDR) dignou-se informar-me que, apesar de a obra ser ainda formalmente propriedade do Estado português, tal Regulamento não se aplicava ao empreendimento de Cahora Bassa.

 

Curiosamente, num dos muitos papers que a HCB finalmente começou a libertar para escrutínio público, há dias dei com uma informação que, de alguma forma, respondia às minhas dúvidas quanto a este incompreensível e perigoso vazio normativo. De facto, e a este propósito, numa comunicação de 2003 (MONITORAMENTO AMBIENTAL DA ALBUFEIRA DE CAHORA BASSA), os então responsáveis pela HCB referiam o seguinte:

 

O monitoramento ambiental da albufeira (Cahora Bassa) segue os princípios estabelecidos nas Normas de Exploração de Barragens (NEB) 1 e tem em conta as recomendações da ICOLD (International Commission on Large Dams), das agências especializadas da ONU e dos protocolos existentes a nível da SADC(Southern Africa Development Corporation).

 

1 NEB – Normas de Exploração de Barragens foram estabelecidas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) de Portugal, através do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes (edição 1993). Estes preceitos radicam nas recomendações de ICOLD (Comissão Internacional das Grandes Barragens) e seguem, na medida em que são aplicáveis, as exigências e rotinas prescritas pelo regulamento português de segurança de barragens (controlo de segurança estrutural, hidráulica-operacional e ambiental), visto que em Moçambique não existe, por enquanto, legislação que contemple especificamente a observação e o controlo de segurança de barragens nas suas variadas vertentes.

 

Engraçado, não é?

 

josé lopes

 

março 2009

xitizap # 44

descontentamento CESUL

quer 1600 MW ?

Cahora Bassa é possível

procrastinando

oportunidade imobiliária

soltas

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