1600 Megawatts ao dispor

 

Enquanto Maputo regurgita postas eléctricas, a HCB gere, placidamente, o seu futuro em Cahora Bassa.

 

Segundo conta a HCB, arrancará muito em breve o seu projecto REABSUB – uma “completa reabilitação e modernização do sistema de conversão, com possibilidade de aumento de capacidade de transmissão de 1920 para 3600 MW” logo que for revisto o nível de isolamento das actuais linhas de transmissão HVDC.

 

Como é óbvio, estes 1600 MW de transmissão-extra podem valer ouro.

 

Não só porque saem a custos sub-marginais, mas porque envolvem a única rota de transmissão que sempre abriu apetites à Eskom – aliás, é bom notar que, do lado Eskom, em 2007 se completou um projecto similar de modernização e upgrade da estação HVDC Apollo (de 1920 MW para os actuais 2500 MW, expansível a 3960 MW).

 

Mas prevalece a questão:

 

e onde se gerarão estes megawatts extra?

 

A questão não é retórica já que, embora o senso comum aponte para uma Central Norte em Cahora Bassa (900/1200 MW, segundo recente submissão HCB ao governo), não é de todo impossível partir de Moatize/Benga e chegar ao parque HVDC do Songo/HCB para aí compartilhar a transmissão HVDC (Apollo/Eskom) -  é difícil, mas não é nada que o contratualismo e a engenharia de transmissão não possam resolver.

 

Assim, numa época de frenético marketing CESUL, e sabendo-se que Eskom há só uma, este é um caso de governação a seguir com muito interesse – um caso em que se mistura tudo: mete empresas (quasi)-estatais (HCB e EDM), mete investidores privados, e mete interesses de Estado.

 

Definitivamente, um caso a não perder.

 

josé lopes

 

março 2009

 

xitizap # 44

descontentamento CESUL

Cahora Bassa é possível

procrastinando

oportunidade imobiliária

soltas

120 km (tot) de rotas muito duras

Eskom, HVDC