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a aurora das bactérias

 

Ainda não se conhecem os resultados do diagnóstico pericial ao desastre hidráulico em Massingir, e também nada de substancialmente novo se sabe quanto à pansteatitis que há pouco tempo dizimou centenas de crocodilos imediatamente a montante desta barragem.

 

Mas sabe-se que o Zimbabwe é cada vez mais martirizado - e agora por letais bactérias (cólera e antrax); tal como se sabe também que, em boa parte da região SADC, se deterioram perigosamente os rios que a Moçambique nos chegam.

 

Na África do Sul, por exemplo, são cada vez mais alarmantes os sinais que apontam para uma dramática redução da quantidade e qualidade da Água Utilizável - um crescendo deficitário que, se não for contrariado, poderá, 2013 prá frente, causar perturbações sócio-económicas tão ou mais graves do que as que resultaram das recentes crises eléctricas da Eskom.

 

Além de cada vez ter menos água, a RSA – que não só já ocupa o 300 lugar na lista dos países mais secos, mas também quase não dispõe de recursos adicionais para novos usos industriais, agrícolas e mesmo domésticos – é um país que faz face a uma degradação da qualidade das águas de tal modo vertiginosa que, a curto prazo, a contaminação de vários dos seus vitais rios e barragens tornará tais águas impróprias para uso doméstico e/ou agrícola.

 

Três são as causas comummente aceites como os principais determinantes da má qualidade dos rios sul-africanos: (i) poluição industrial, mineira e agro-química; (ii) despejo directo de esgotos não (ou mal) tratados nos rios; (iii) o aquecimento global que, ao provocar o aumento de temperaturas nos lagos e barragens, tem promovido o crescimento de algas nocivas à aquacidade.

 

Apesar de a poluição ser desde há décadas um grave problema hídrico na África do Sul, recentemente ela atingiu níveis críticos e é real a possibilidade de, em muitas zonas do país e jusantes, o colapso dos ecossistemas já ter provocado o esgotamento de qualquer “capacidade de diluição”.

 

Como também é público, nos rios sul-africanos o pior das contaminações ácidas e tóxicas é originado nas explorações mineiras (carvão e ouro) e, entre os rios que a Moçambique chegam, o Limpopo e o Elefantes são usualmente referidos como tristes, mas indesmentíveis, exemplos de águas perigosamente afectadas.

 

Para Paul Oberholser, um especialista em microcistinas no CSIR, a intensificação de florescências cyanobactéricas é um sinal de alerta quanto à aceleração do envenenamento das águas deste rios e barragens – há poucos anos, segundo ele, as cyanobactérias floresciam apenas durante quatro meses por ano; hoje, tais meses vão em oito.

 

Oberholser refere ainda que, na África do Sul, os crescentes casos de envenenamento fatal via cyanobactérias (para o qual não se conhece antídoto ou cura) têm-se restringido a gado, animais domésticos e fauna selvagem, mas há um alerta que é lançado: se nada for feito contra a progressiva deterioração dos Rios Limpopo e dos Elefantes (por exemplo), as comunidades rurais que utilizam tais águas poderão, a curto prazo, registar fatalidades humanas; quanto às empresas agro-industriais, o banimento das suas potenciais exportações poderá tornar-se inevitável.

 

Entretanto, um grupo de especialistas sugeriu que a normalização das águas sul-africanas (e dos países a jusante por extensão) exigirá que, no mínimo, se adicionem mais 25 biliões de Rand por ano ao orçamento actual de gestão hídrica, num processo que exigirá também que os cidadãos passem a preocupar-se mais com a qualidade da águas que consomem - tal como sugere o SA Institution of Civil Engineering que, em Outubro 2008, descrevia a situação das águas sul-africanas como uma ameaça à saúde pública e “uma crise nacional de primeira grandeza”.

 

E nós por cá, tudo bem?

 

josé lopes

 

fontes: webmedia, notably FM (Water)

 

xitizap # 42

 

dez 2008

 

Anthrax hits Zimbabwe

As Zimbabwe battles a nationwide cholera outbreak that has so far killed more than  600 people, a surge in anthrax has also hit the the country, claiming the lives of villagers and their livestock.

Matabeleland North provincial medical director, Dr Gibson Mhlanga, confirmed the deaths of two people from anthrax, but a report in the official The Chronicle newspaper said six had died and over 200 cattle had been wiped out in the province's Dongamuzi area near Lupane, 120km north of Bulawayo, Zimbabwe's second city.

Anthrax will further strain Zimbabwe's crumbling health delivery system, which has failed to contain a cholera outbreak that has spread to all 10 of its provinces.

source: IRIN