xitizap # 18

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carbo-colonialismo ?

 

são duas as razões do meu especial interesse pela Mozal.

 

Uma, reside no desafio em desconstruí-la tecnologicamente para melhor equacionar defesas ambientais – numa espécie de reverse-engineering.

 

A outra razão deriva da necessidade de compreender as novas estratégias globais do carbono, águas e energia – na era Kyoto.

 

E ambas as razões assentam num propósito: refinar a equidade social — no caso, via mais e melhor consciência ambiental. Num quadro em que urge balancear os custos e benefícios do desenvolvimento industrial em Moçambique. E este é um búfalo que tem que ser pegado pelos cornos.

 

Para mim, analisar o processo Mozal - uma tecnologia de ponta à escala mundial – significa construír uma base de conhecimento que assista a gestão dos imensos desafios mineiro-industriais que aí vêm. E, nisto de impactos, é sempre bom começar pelo top da gama.

 

Por outro lado, compreender a geo-estratégia da Mozal e de outros mega-metalúrgicos — no quadro do Protocolo de Kyoto — permite-me refinar a matriz de tácticas ambientais, e apostar num desenvolvimento naturalmente mais sustentável — que vigie a evasão à taxa de carbono, por exemplo, evitando aquilo a que o CSE (Índia) chamou de carbo-colonialismo.

 

Negociado nos difíceis meandros da economia global, os “mecanismos flexíveis” previstos no Protocolo de Kyoto poderão, se mal geridos, abrir a porta a toda a espécie de “contabilidades criativas” em termos do comércio de emissões de carbono.

 

E como adverte o Corporate Europe Observatory “, na prática, estes mecanismos transformarão os gases de estufa em mercadorias, perpetuando as desigualdades Norte-Sul no uso dos recursos naturais e abrindo caminho a variadíssimas mas perigosas oportunidades de lucro para as corporações transnacionais – essencialmente criando um novo mercado do nada. Através destes esquemas, as corporações e governos dos países industrializados terão o direito de comprar aos países do Sul uma larga gama de baratíssimos créditos de emissão—frequentemente através de projectos de natureza exploradora.

 

Mais ainda. Quando chegar a altura de os países do Sul serem obrigados a reduzir as suas próprias emissões é muito provável que todos os “frutos à mão”- ou seja, os créditos baratos – já tenham sido recolhidos pelas mega-corporações mineiro industriais, obrigando-nos assim a recorrer às mais dispendiosas opções de redução de gases de estufa.”

 

josé lopes

 

revendo o filme a invasão dos Smelters

 

ps – quando no seu último folheto de marketing a Mozal refere que emite CO2 em baixas quantidades porque utiliza energia proveniente de Cahora-Bassa, que segundo eles é ambientalmente limpa e fiável, para além de escandalosa publicidade enganosa, será que a Mozal pretende preparar uma golpada em termos de créditos de emissões ?

 

 

xitizap # 18

abril 18, 2005