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para além de muitos outros poluentes, a produção primária de alumínio é positivamente identificada como a maior fonte antropogénica da emissão de dois potentes perfluorcarbonos (PFCs): o tetrafluormetano (CF4) e o hexafluoretano (C2F6).

 

Em termos de aquecimento global, estes Gases de Estufa (GHG – greenhouse gas) são muito mais potentes que o dióxido de carbono (CO2) igualmente emitidos pelas alumineiras— e têm períodos de vida bastante mais longos. Estima-se que o potencial de aquecimento global destes dois PFCs seja 6,500 e 9,200 vezes superior ao do dióxido de carbono CO2, respectivamente.

 

Normalmente, a produção destes dois perigosos Perfluorcarbonos não é significativa durante as condições normais da fundição de alumínio. Contudo, a emissão de PFCs atinge níveis preocupantes sempre que ocorrem perturbações processuais conhecidas como “efeitos de ânodo”.

 

Estes distúrbios ocorrem quando o nível de alumina (Al2O3 – matéria prima para a produção de alumínio) desce a níveis muito baixos no interior dos potes de fundição, altura em que o próprio banho electrolítico começa a ser ele próprio sujeito a electrólise. Dado que o nível de alumina no banho electrolítico não pode ser medido directamente, os operadores são obrigados a recorrer a métodos de medição indirecta por forma a minimizarem os “efeitos de ânodo".

 

Em 2000, as fundições de alumínio foram directamente responsáveis pela emissão combinada de 92 milhões de toneladas equivalente de CO2, das quais 53 milhões (58%) se deveram à emissão de PFCs e 39 milhões (42%) à emissão directa de CO2 resultantes da reacção electrolítica dos ânodos de carbono.

 

Curiosamente, à medida que a atenção internacional se vai focando cada vez mais na redução das emissões de gases de estufa, os níveis actuais de emissão poderão resultar em significativo valor económico à luz de alguns dos mecanismos previstos no Protocolo de Kyoto, entre os quais o Clean Development Mechanism (CDM).

 

Mas entretanto repare-se no seguinte:

 

O que são Perfluorcarbonos (PFCs) ?

 

Perfluorcarbonos (PFCs) são compostos de carbono nos quais todas as ligações disponíveis são preenchidas por átomos de flúor. Estes compostos têm estruturas moleculares extremamente estáveis e são largamente imunes aos processos químicos que decompõem a maioria dos poluentes. Só quando atingem a mesosfera (cerca de 60 km acima da Terra) é que são destruídos pelos raios ultravioleta de alta energia originários do Sol. Este mecanismo de remoção é extremamente lento e, em resultado disso, os PFCs acumulam-se na atmosfera onde permanecem por longuíssimos períodos.

 

Como é que os PFCs influenciam as mudanças climáticas globais?

 

Os PFCs são potentes gases de estufas (GHG) que devido à sua enorme estabilidade molecular permanecem na atmosfera por períodos estimados em 50,000 anos (CF4) e 10,000 anos (C2F6) respectivamente, e o seu  “potencial global de aquecimento” (GWP) é dos mais altos dentre os gases de estufa conhecidos  - note-se que o “potencial global de aquecimento” (Global Warming Potential) é uma medida que permite comparar o impacto dos vários gases de estufa no aquecimento global, e é calculado por combinação do período de vida atmosférica estimado para o gás de estufa e respectiva capacidade de abosrção de infra-vermelhos.

 

Como é que os PFCs são criados durante o processo de produção primária de alumínio?

 

Quando o conteúdo de alumina (Al2O3) no interior do banho electrolítico cai abaixo de certos níveis críticos ocorrem rápidas subidas de voltagem usualmente chamadas de “efeitos de ânodo”.Durante um efeito de ânodo, o carbono do ânodo e o flúor emanado da criolite em fusão no banho electrolítico combinam-se dando origem à produção de dois perigosos PFCs – o tetrafluormetano (CF4) e o hexafluoretano (C2F6). Estes gases são emitidos a partir do sistema de condutas de escape ou de outros circuitos ligados aos potes de fundição ( por exemplo a cobertura dos potes). Para um dado nível de produção de alumínio, a magnitude das emissões de PFCs depende da frequencia e duração dos efeitos de ânodo.

 

xitizap # 18

abril 18, 2005