xitizap # 18

carbo-colonialismo ?

fumaças e labaredas

arrotos de flúor

alterações climáticas

um secreto relatório

links & downloads

Text Box: tsunamis de carbono

 

O Efeito de Estufa do Dióxido de Carbono (CO2)

 

Na Terra,

a vida só é possível devido à energia do Sol, cuja maior parte nos chega na forma de luz visível.

 

Cerca de 30% desta luz solar é recambiada para o espaço pela camada exterior da atmosfera da Terra mas o grande resto atinge a nossa superfície que a reflecte sob forma de uma mais suave e tranquila radiação infravermelha. Lentamente, esta radiação infravermelha é transportada para as camadas superiores da atmosfera, e a velocidade com que ela escapa para o espaço extra-terreno depende muito de um particular travão: um manto de gases de estufa, que inclui vapor de água, dióxido de carbono e metano. Um manto delicadamente construído pela natureza ao longo de milénios, e que funciona como um vital regulador da temperatura na Terra.

 

Contudo, queimando combustíveis fósseis a um ritmo muito mais rápido do que o que caracterizou a sua formação, os Humanoides têm vindo nas últimas décadas a desequilibrar este natural manto de gases tornando-o cada vez mais espesso devido à emissão de doses maciças de dióxido de carbono (CO2), metano e óxidos nítricos – para além de de gases industriais de grande resistencia e poder como os Perfluorcarbonos (PFCs) da Mozal, por exemplo.

O resultado - conhecido como “o exacerbado efeito de estufa” - é um aquecimento da superfície da Terra e um abaixamento dos níveis de atmosfera. Estas alterações estão a acontecer a um ritmo jamais visto e, se as emissões continuarem a crescer à velocidade actual, é praticamente seguro que os níveis de CO2 na atmosfera duplicarão – ou mesmo triplicarão – durante o século 21.

 

 

xitizap # 18

abril 18, 2005

Text Box: adaptação livre a partir de: UNFCC

United Nations Framework on Climate Change

http://www.unfccc.int/

 

Inevitavelmente, as alterações climáticas na Terra sucedem-se, e os cientistas apontam já os primeiros sinais de “acontecimentos climáticos extremos” – ciclones, tufões, cheias e secas cada vez mais frequentes e poderosas. E as cheias do Reno de 1996 e 1997, da China em 1998, da Europa de leste em 1998 e 2002, as de Moçambique e Europa em 2000, e as do Bangladesh de 2004 são uma indicação de que, de facto, a intensidade e frequência das tempestades cresce assustadoramente.

 

Esta tendencia para que se registe um maior número de fortíssimas tempestades e mais longos períodos de tempo cada vez mais quente e seco é transparentemente prevista pelos modelos computacionais – e pelo senso comum. Temperaturas mais quentes implicam maior evaporação, e uma atmosfera mais quente significa também uma maior retenção de humidade – daí que haja mais água nas camadas superiores e, potencialmente, mais precipitação. Da mesma forma, as regiões mais secas tendem a perder cada vez mais humidade à medida que as temperaturas sobem – o que exarceba as secas e a desertificação. Basta reparar no que acontece nas enormes baías do Niger, Lago Chad e Senegal onde o total de água disponível foi reduzido a 40-60%, e à progressiva desertificação que varre o continente africano.

 

Entretanto, as temperaturas do ar ártico subiram cerca de 5o C durante o século passado – dez vezes mais rápido do que a temperatura média global à superfície da Terra. E no ártico russo, os edifícios estão a entrar em colapso devido à fusão das suas fundações. Mais abaixo, nas latitudes altas e médias do hemisfério Norte a cobertura de neve diminuiu à volta de 10% desde os anos 1970s, ao mesmo tempo que a cobertura de gelo nos lagos e rios parece ter encurtada em cerca de 15 dias por ano. Nas regiões montanhosas não-polares os glaciares retrocedem e, no Nepal, as recentes evidencias são prova disso. Em paralelo, a subida dos níveis do mar aumentará a salinidade das águas agravando a sua já patente escassez.

 

Entretanto os cientistas têm vindo a observar o impacto das alterações climáticas em mais de 420 processos físicos e comunidades biológicas. Nos Alpes, por exemplo, algumas espécies de plantas começaram a migrar para latitudes mais altas ao ritmo de 1 a 4 metros por década, e algumas plantas tradicionalmente observáveis no topo das montanhas desapareceram pura e simplesmente. Na Europa, o acasalamento e deposição de ovos de várias espécies de aves passou a acontecer muito mais cedo e, mais ou menos por toda a parte, grande parte dos insectos começou a migrar para zonas de maiores altitude e latitude onde anteriormente o frio era demasiado para que elas pudessem sobreviver. Inexorável, o espectro de doenças como a malária – que actualmente já mata mais de 1 milhão de pessoas por ano – atingirá áreas anteriormente protegidas.

 

Embora possam vir a registar-se diferenças quanto ao impacto das alterações climáticas nas várias regiões, é muito provável que ocorra uma diminuição global ao nível dos rendimentos agrícolas na maioria das regiões tropicais e sub-tropicais de que resultará uma ainda maior disrupção na cadeia alimentar em zonas já terrivelmente afectadas por fomes e carencias alimentares.

 

Infelizmente, o aquecimento global está recheado de injustiças.

Os países industrializados do Norte da América e Europa são, a par de alguns outros estados como o Japão, os responsáveis pela maior parte das emissões anteriores e actuais dos Gases de Estufa (GHG). Contudo, serão os habitantes do mundo em desenvolvimento quem mais sofre com as alterações climáticas – e assim continuará a ser. Eles dispõem de muito menos recursos para enfrentarem as tempestades, as cheias, as secas, as explosões de doenças e epidemias, e as disrupções da cadeia alimentar e de fornecimento de água potável. Os países mais pobres em pouco ou nada contribuíram para o aquecimento global mas, e apesar disso, são os que estão mais expostos aos seus efeitos.

 

diagrama por Princeton.edu