princípios de incerteza



novembro 2004

um mês impróprio para cardíacos



nas coisas eléctricas,

desde há muito que eu não via suspense assim. E vários são os porquês.


porque novembro é suposto ser mês de uma crucial negociação sobre Cahora Bassa.


porque novembro foi mês em que o governo sul-africano decidiu subsidiar o radioactivo PBMR em mais 500 milhões rands.


porque novembro foi o mês que se seguiu ao go-ahead para o relançamento de 3 antigas centrais Eskom a carvão - num investimento de 12 biliões de rands que recuperará 1600 MW em Camden (2008), 1200 MW em Grootvlei (2009) e 1000 MW em Komati (2011); para além de um outro programa de investimento de 20 biliões de rands em três novas centrais a carvão nos próximos 5 anos.


porque novembro foi o mês em que eu soube que a Zambia havia obtido financiamento para represar mais águas a montante de Kariba.


porque Novembro foi mês em que a China apostou forte no Zimbabwe - diplomatica e electricamente (em Kariba south e Hwange). E nas concessões carboníferas de Chaba, e corredor da Beira - mesmo que niguém fale disso.


porque novembro é também mês em que se poderá decidir a concessão das minas de carvão de Moatize - e de uma hipotética mega-central de carvão à boca-da-mina.


porque novembro foi mês em que a Xstrata (grupo anglo-suíço controlado a 40% pela Glencore) lançou o mais que previsível takeover hostil sobre a australiana WMC-R (concessionária das areias pesadas do Chibuto via Corridor Sands). Um takeover que surge numa altura em que a WMC-R ensaiava a compra da Iluka Resources - um dos grandes da mineração de areias pesadas - possivelmente numa apressada tentativa de colocar o projecto Corridor Sands nos eixos. Um takeover que, apesar de prontamente rejeitado como baratinho e oportunista pela WMC-R, não deixou de abrir o apetite às ditas " três manas feiosas " - a BHP Billiton, a Rio Tinto e a Anglo American. Exactamente as mesmas que disputam a bacia carbonífera de Moatize - a par da brasileira CVRD.


e finalmente

também porque, pelo menos para mim,

novembro foi mês em que uma central a gás na zona de Pande/Temane ultrapassou um crítico limiar de decisão - qualquer que seja o cenário de demanda eléctrica regional.


para quem goste destas adrenalinas,

tenho a certeza que não haverá mês matricialmente mais desafiante.


para quem prefira brisas mais calmas,

sugiro um safari ao oásis de certezas da EDM.


josé lopes


novembro 2004

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