xitizap # 36

bom dia Cahora Bassa

o veto dos comissários

procurement World Bank

quem tem medo de HVDC ?

Sambódromo Zambeze

Lacan em Timor

soltas

 

 

o veto dos comissários

 

 

Eu sabia forte a antipatia que eles por mim nutrem.

 

Sabia ainda que eles trepam paredes sempre que no xitizap exerço o meu dever cívico de publicamente formular críticas e alternativas às suas danosas prestações – seja porque elas denotam explosivas combinações de erros técnicos e desperdício de fundos públicos, seja porque tais prestações empurram o Estado para perigosas insustentabilidades.

 

Foi assim desde a linha Maputo-Inhambane à inqualificável balda na gestão de perdas, passando pelo abandono a que votaram Chicamba/Mavuzi e a qualidade de serviço EDM. Foi assim desde que nos cruzámos no sambódromo Mphanda Nkuwa onde, por entre gaffes LPG, nos obrigam a assistir a um dos mais angustiantes filmes do horror electrotécnico contemporâneo: “A transmissão 400 kV AC segundo a EDM”.

 

Se a isto se somar o recente diálogo a propósito das cheias HCB, é razoável admitir que a psicose dos comissários tenha atingido novos picos de stress.

 

 

Mas o que eu não sabia é que os comissários teriam a distinta lata de vetar o meu nome como colaborador de um projecto IPP (Independent Power Producer) numa parceria privado-pública (PPP) na qual a EDM, como monopolista da transmissão em Moçambique, é sempre um parceiro forçado.

 

Acagaçados por um diálogo técnico que, inevitavelmente, teria que abordar os seus aberrantes conceitos de transmissão eléctrica, o veto à minha pessoa foi a arma agora escolhida pelos comissários de serviço.

 

Embora esta subserviência EDM traga novos contornos à teoria e prática da exclusão social em Moçambique, não merece sequer a pena gastar tempo em desmontá-la.

 

Aliás, na boa tradição deste sector, raramente vale a pena um gajo preocupar-se muito - ou é o tempo que rapidamente cura os abcessos conceptuais desta malta, ou então são as armadilhas palacianas que eles montam uns aos outros que, inexoravelmente, mostram que o rei vai nú.

 

Como foi agora o caso.

 

Curiosamente, e sem que eu tivesse mexido uma palha, três dias depois de me terem vetado os EDMs vinham a público anunciar a realização de uma revisão e integração (sic) dos seus múltiplos e milionários estudos anteriores (exhibit 1).

 

Poucos dias depois, a confusão prosseguia – e agora com maior intensidade dramática. De rajada, o Ministério da Energia anunciava três outros estudos (exhibit 2) que, para além de manifesta redundância, prenunciam alterações fundamentais ao negócio eléctrico em Moçambique.

 

Protegidos pela ausência de qualquer escrutínio público, estes comissários, para além de desbaratarem milionários fundos estatais em estudos que mais parecem encomendas, perturbam gravemente o ambiente de negócios em Moçambique e mancham a honra dum Estado que lhes paga salários e mordomias de marajá.

 

Na verdade, estes burocratas - representantes de um monopólio que forçadamente se senta à mesa de qualquer negócio eléctrico local - não só encarecem extraordinariamente as opções de transmissão eléctrica em resultado dos seus clamorosos erros técnicos, mas têm ainda o despudor de, sempre que convém aos seus interesses pessoais, a meio do jogo alterarem as regras que há pouco tempo haviam definido.

 

Não vejo maneira de os entender.

Pior ainda – não vejo maneira de os responsabilizar.

 

Este veto EDM não deriva apenas de profundas antipatias pessoais. No essencial, ele resulta é do medo que os comissários têm em encetar discussões técnicas abordando três questões fundamentais que se interligam no sector eléctrico moçambicano:

 

 (i) percepção do mercado Eskom como importador eléctrico,

 

(ii) limites da transmissão 400 kV AC (corrente alternada) versus potencialidade HVDC (corrente contínua) na evacuação eléctrica e

 

(iii) papel do Estado e Produtores Eléctricos Independentes (HCB, Moatize, Pande e sambódromo Mphanda Nkuwa).

 

Tão simples como isto.

 

josé lopes

 

novembro 2007

 

 

 

 

 

Progressivamente entalados numa estreita visão 400 kV AC, os comissários não fazem outra coisa senão montar novos slide-shows e subir os preços da magia.

 

De um bilião USD em 2002, passaram para USD 1.3 biliões em 2005 e em 2006 o número já atingia os  1.7 USD biliões.

 

Segundo as últimas informações, os comissários entretêm-se agora com ilusionismos de 2.3 biliões USD.

 

Divina comédia !

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nov 2007