Cahora Bassa 2008

 

quando dentro de dias (1) Moçambique pagar os remanescentes USD 700 milhões HCB ao Tesouro de Portugal, consumar-se-á um dos melhores negócios dos últimos anos no mundo eléctrico – e político.

 

Bom para ambas as partes, este negócio permitirá que a reversão accionista na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (de 20/80 para 85/15) potencie valores até agora sistematicamente reprimidos.

 

Valores como (i) o prevenir a depredação de um recurso hídrico vital - o Rio Zambeze (ii) o privilegiar a segurança das pessoas e bens a jusante da HCB, e (iii) o alocar blocos eléctricos HCB mais em linha com os interesses de Moçambique.

 

Embora tudo isto seja possível, e desejável, não é liquido que a adopção destes novos paradigmas de gestão seja suave, e sou mesmo forçado a admitir que não são bons os sinais que ultimamente me chegam.

 

Lembremo-nos, por exemplo, das recentes cheias no Zambeze.

 

Hidrologicamente mal gerida, em 2007 a HCB constituiu-se de novo como um dos determinantes das anómalas inundações que, repetidamente, têm levado à miséria centenas de milhar pessoas no Vale do Zambeze.

 

E, muito mal administrada na sequência do incidente, a actual gestão HCB, embora publica e repetidamente louvada pelo Ministro da Energia de Moçambique, acabou por arrastar dois governos, e pelo menos um parlamento, para penosas autofagias.

 

Tão penosas como seja o facto de a actual administração HCB [apontada pelos governos de Portugal (80%) e Moçambique (20%)] se permitir continuar a desobedecer a determinações da Procuradoria-Geral da República de Moçambique, persistindo assim na ocultação de parâmetros operacionais de interesse mais que público.

 

Autofagias tão penosas como seja o governo de Portugal se prestar a cobrir uma burocracia arrogantóide (SEA-PT) que, segundo depreendo das palavras do Ilustre Provedor de Justiça de Portugal, é procedimentalmente boçal –

 

 

 

 

 

 

 

in correspondência trocada entre mim e o Provedor de Justiça de Portugal

 

Em termos simples, estas e outras inenarráveis derivas são resultado de uma incompleta percepção de um empreendimento que, primariamente desenhado com objectivos político-militares, pode, em caso de má gestão, resvalar para economicismos que fazem perigar o futuro destas águas estratégicas e a segurança dos que habitam o Zambeze.

 

Resta-me portanto desejar que à queda do pano sobre a longa saga Portugal e HCB se siga, não apenas um casting de melhores actores, mas um novo guião de gestão.

 

josé Lopes

 

novembro 2007

 

no Songo analisando coordenações de isolamento

 

(1) como é óbvio, com o empréstimo já tomado firme por um sindicato bancário Moçambique não tem o mínimo interesse em incorrer em desnecessários juros por adiantamento deste pagamento.

 

 

ps 1 – quero aqui deixar o meu público reconhecimento à organização Justiça Ambiental (JA) pelo apoio solidário que me prestou durante esta difícil e amarga batalha contra o economicismo hidroeléctrico. A luta pelo novo paradigma de gestão está longe de estar ganha, mas fica-me a sensação de que esta batalha trouxe valiosos pontos à consciência cívica e ambiental.

 

ps 2 – para as vítimas das cheias que continuam imersas num dramático reassentamento, daqui envio a mais profunda solidariedade - e um apelo: esta luta é essencialmente vossa!

 

 

 

Com previsão de chuvas abundantes:

 

INGC prepara-se para inundações

 

O INSTITUTO Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) está a equacionar as possibilidades para enfrentar possíveis inundações no país, em face do recente anúncio da SARCOF, uma instituição regional da África Austral especializada na previsão meteorológica, que dá conta de que Moçambique poderia ser fustigado, entre Outubro, Novembro e Dezembro, por chuvas normais com tendência para acima de normal, e em Janeiro, Fevereiro e Março por chuvas acima do normal com tendência para normal, com maior relevância na zona centro.

 

Esta indicação, segundo alguns entendidos na matéria, implica uma antevisão do pior cenário de chuvas abundantes comparativamente à última estação, caracterizada, entre Outubro e Dezembro, por chuva normal com tendência a abaixo do normal, para em Janeiro, Fevereiro e Março se verificarem chuvas normais com tendência a acima do normal.

 

Assim, a HCB teve que descarregar o caudal da albufeira, tendo, consequentemente, provocado inundações do Zambeze e desalojamento de 107.534 pessoas em algumas regiões das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia.

 

Maputo, Segunda-Feira, 5 de Novembro de 2007:: Notícias

 

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Cahora Bassa – uma golden share

 

in xitizap # 29

…..

 

Curiosamente, o design da golden share Moçambique não me parece muito complicado já que, por razões de soberania, ele terá que girar, necessariamente, em torno de duas ou três fundamentais garantias: prioridade na alocação de potência/energia HCB ao mais baixo preço, hidrologia saudável, e …

 

… e embora sejam vários os possíveis arranjos para-sociais - e neste mundo dos biliões USD há uma boa mão cheia de contratualistas – daqui de longe me parece que bastará qualificar, apropriadamente, uma posição à volta de 25% do Estado de Moçambique na futura estrutura accionista da HCB.

 

xitizap # 36

 

nov 2007

xitizap # 36

bom dia Cahora Bassa

o veto dos comissários

procurement World Bank

quem tem medo de HVDC ?

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