xitizap # 27

Gás em Maputo

uma proposta indecente

se temos tanto ...

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xitizap # 27

 

inverno 2006

 

 

mas como é que falta gás se temos tanto ?

 

 

Não sei.

 

E tenho pena porque esta pode bem ser uma million-dollar question – que muita falta me fazem, por sinal.

 

Mas há duas ou três coisas que eu sei.

 

Primeiro, sei que é relativamente simples, tecnicamente, extrair butano e propano (LPG) do gás natural de Temane … o que nem sempre significa viabilidade económica. Há anos que isto se sabe, e são inúmeras as publicações sobre o assunto.

 

Segundo, sei que a falta de gás pouco terá a ver com escassez de capital de investimento.

 

E isto porque embora eu conheça as léguas que vão entre mediáticos anúncios e plausíveis realidades, vale a pena recordar, só como exemplo, os recentíssimos USD 140 milhões que a Petromoc anunciou para duas parcerias em projectos de bio-diesel.

 

Terceiro, sei que não me parecem nada claros os propósitos estratégicos da utilização do gás natural em Moçambique.

 

Para além da rapidíssima ligação à sempre atenta Mozal, pouco se vê, ou se sabe, dos projectos de utilização de gás natural anunciados em 2004/05 (transportes públicos, distribuição e reticulação doméstica, pipelines virtuais em bairros populares, etc).

 

E, neste entretanto, deixou de ouvir-se falar da extracção do petróleo de iluminação (kerosene) dos condensados de Temane tão profusamente mediatizada há 1 e 2 anos como intenção moçambicana.

 

Incidentalmente, à época ninguém falava em LPG.

 

Subitamente, out of the blue, no auge da crise LPG em Maputo ficamos a saber que a Petromoc havia sido autorizada, pelo Governo, a investir USD 5 milhões na extracção de LPG do gás natural de Temane. Não se é taxativo quanto ao onde, nem sequer quanto ao tecnológico como. E quanto a timings as referências são difusas: 18-20 meses nuns casos, alguns anos noutros.

 

Surpreendentemente, não há qualquer referência à Sasol nesta iniciativa LPG da Petromoc.

 

Esta omissão, que pode indiciar uma misteriosa ausência Sasol, intranquiliza-me tecnológica e contratualmente. Não só porque a Sasol é líder mundial GTL, incluindo os marginais 11,000 bpd LPG do gás natural Qatar, mas também porque, como concessionária e investidora de mais de um bilião USD no gás natural de Moçambique, a Sasol havia anunciado a sua intenção em explorar um pólo petroquímico junto aos poços de Temane e Pande.

 

A ver vamos.

 

Mas, para quem como eu simpatiza com o LPG como combustível da matriz urbana, sou obrigado a confessar que ando um bocado confuso quanto ao que se quer fazer dele – e com ele. E idem aspas para o gás natural.

 

josé lopes

 

com uma botija de gás à cabeça

 

PS – durante esta crise LPG, foi confrangedora a incapacidade em se explicar ao povão LPG a diferença entre butanos, propanos e gás natural cru. Se calhar, todas as iniciativas mediáticas deveriam ter começado por aí.

 

 

Processamento de Gás Natural

 

Extracção de Propano e Butano

 

Kapuni - Nova Zelandia

 

Processos na Sasol (Secunda) www.sasol.com