xitizap # 22

Cahora Bassa: um bom acordo

Arquimedes e o Zambeze

Dr. Strangelove na Mozal

mundo ao avesso

rapidinhas

 

o valor da HCB

 

ao contrário do que alguns sugerem, eu creio que o recente acordo sobre Cahora Bassa não pode ser reduzido à mera condição de uma compra / venda de activos patrimoniais.

 

Não só porque o memorando de entendimento é explícito quando define a “dívida da HCB ao Estado Português” como o objecto da transacção, mas sobretudo porque vê-lo de outro modo poderá ser redutor.

 

Redutor, a dois níveis.

 

A nível político certamente já que isso equivaleria a ignorar a grandeza desta profunda, e amigável, revisão do Protocolo de Lusaka sobre Cahora Bassa (1975).

 

Mas sobretudo redutor em termos económicos.

 

E aqui importa lembrar que o Protocolo de Lusaka previa a transferência a custo zero do património HCB - mediante condições que se inspiravam num xadrez politico que, por razões alheias a Moçambique e Portugal, não aconteceu.

 

Daí que, de certo modo, o novo entendimento sobre Cahora Bassa me pareça mais uma negociação sobre normais custos de risco em contratos - no caso, o risco de plausibilidade em contratos politico-financeiros de longa duração; o que também inclui dívidas.

 

E por isso discordo da ideia que, muito linearmente, pretende fazer equivaler 67% da HCB a 950 milhões USD – remetendo-se assim o actual valor de Cahora Bassa para a zona do USD 1.4 bilião.

 

Em minha opinião, isto é inexacto.

 

E inexacto por duas ou três ordens de magnitude.

 

Por um lado, porque isso corresponde a aceitar que, excluindo sistemas de transmissão, o kW da HCB apenas vale USD 300 – num cenário de custos de geração no Zambeze que antecipa USD 450/kW para Cahora Bassa Norte, e USD 1065 para Mphanda Nkuwa.

Para não falar no que isso representa em omissão de todos os outros custos de utilização do grande Rio.

 

Por outro lado, porque essa visão implica ignorar a relatividade do valor - qualquer valor.

 

E esquecer que entre custo e valor cabe uma avenida que é o mercado.

 

E isto é particularmente importante no caso já que, o simples facto de Moçambique ter adquirido uma genuína soberania sobre Cahora Bassa, abre novas e muito mais largas avenidas de desenvolvimento – e de negociação do valor em mercados.

 

Daí que me pareça oportuno realçar diferenças entre custo e valor.

 

Curiosamente, este é um harmónio que me fascina.

 

Especialmente quando ele toca aquela melodia sugerindo que, quer para efeitos de possíveis venda de acções, quer para efeitos de securitização de eventuais empréstimos, uma boa referência para o novo valor HCB se aproxima dos USD 4 biliões.

 

O que, mais milhão menos milhão, equivale ao valor pago por Portugal para reter 15% das acções HCB – via desconto à dívida pública que referia como existente.

 

josé lopes

 

dezembro 2005

 

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e  constate  como interesses e opiniões diferentes permitem chegar à mesma conclusão. Afinal, talvez seja essa a essência dos negócios — ah, ah.

 

 

Um bom acordo sobre Cahora Bassa

 

por Mira Amaral

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