Quanto e Onde?

 

As reservas de gás natural tendem a ser números bem guardados.

Umas vezes para eludir riscos, mas normalmente porque um bom número custa fortunas, como no caso do Ibhubesi Gas Group que até ao momento investiu $ 100 milhões na exploração dos blocos 1 e 2A do campo Ibhubesi - um off-shore, 280 km a noroeste de Saldanha Bay.

 

Um investimento grande, mas aparentemente muito bom.

Isto porque o CEO da Forest Oil diz que a coisa se pode transformar em 25 TCF (trilião de pé-cúbico), quando 1 TCF já é normalmente uma descoberta rara, segundo ele.

O Ibhubesi Gas Group, que congrega a PetroSA, Forest Oil e Anschutz Overseas, tem ao dispor da holding de Tokyo Sexwale um direito de opção.

 

Embora não tenham sido ainda assinados quaisquer contratos de venda, a Forest Oil estima que, diariamente, poderá vir a fornecer 50 MMCF (milhão de pé-cúbico) a consumidores industriais na área de Saldanha Bay, 100 MMCF a uma eventual central eléctrica e que os restantes 200 MMCF diários poderão ser transportados para a unidade de transformação gás-líquidos da PetroSA, cuja fonte de abastecimento deverá estar esgotada em 2008. Recorde-se que a SASOL detém os direitos de prospecção sobre o bloco a sul de Ibhubesi - e que as reservas sul-africanas de CBM (coal bed methane) não excedem 1.3 TCF.

 

Entretanto, mais a norte, prosseguem as pesquisas em Kudu - um campo de gás natural no off-shore da costa da Namíbia. Após a retirada da Shell - que desde 1993 ali investiu $ 140 milhões em prospecção com vista à instalação da primeira plataforma flutuante de LNG - o campo de Kudu é hoje detido a 40% pela Energy Africa (subsidiária do grupo malaio Engen) e pela Chevron Texaco (60%).

Segundo a Energy Africa, actualmente, Kudu tem reservas provadas na ordem de 1.3 TCF e reservas potenciais de cerca 4 TCF. No entanto, a viabilidade comercial de todo o projecto depende da possibilidade de estas reservas crescerem para níveis na zona de 3 e 7 TCF, respectivamente.

 

Antes da sua retirada do projecto após fracos resultados em dois furos de prospecção, a Shell - que detinha 75% dos direitos de exploração de Kudu - além do projecto FLNG, investigava a possibilidade de alimentação de uma central eléctrica de 800 MW em Oranjemund (Namíbia), e uma outra em Cape Town. Recentemente (outubro 2003), Rhidwaan Gasant - director geral da Energy Africa - referiu que a decisão sobre a central eléctrica na Namíbia deverá ser anunciada em 2004 após assinatura de um possível acordo envolvendo a Nampower, Namcor e a Eskom. Se assim for, o gás de Kudu poderá começar a fluir em finais de 2008.

 

Entretanto, o gás moçambicano deverá começar a fluir para a África do Sul no final de 2003. A construção dos 865 km de pipeline ligando os campos de Temane e Pande a Secunda tem avançado a ritmo superior ao planeado, e a maior parte dos 80 milhões GJ de gás natural servirá para substituir o carvão como matéria prima das indústrias químicas da SASOL em Sasolburg, para além de o suplementar na unidade de combustíveis sintéticos em Secunda. O pipeline - detido pela SASOL e pelos governos de Moçambique e África do Sul - servirá igualmente mais de 600 consumidores industriais, nomeadamente siderurgias. Para a SASOL, um crescimento médio de 2% da economia sul-africana, aliado a um progressivo abandono do carvão como fonte energética, poderá triplicar a demanda anual do gás natural moçambicano - dos 80 mm GJ iniciais para 240 mm GJ.

Através de uma rede de pipelines de 81 km, o gás natural fluirá a partir de 18 poços do campo de Temane para uma Unidade Central de Processamento (CPF) onde se extrairão condensados e humidade, após o que será refrigerado (até 4° C) e comprimido para transporte para a África do Sul. Prevê-se que, a partir de 2006, outros 15 poços do campo de Pande entrem em exploração comercial.

 

Estima-se que a exportação de gás natural para a África do Sul aumente o PIB moçambicano em 20%, e o governo de Moçambique deverá receber cerca de $ 2 biliões em taxas e royalties durante os 25 anos de vida do projecto. No âmbito do acordo, Moçambique terá direito a 1 milhão GJ de gás por ano em royalty, mas os gestores da SASOL prevêem que, provavelmente, Moçambique optará por ser pago em cash.

 

josé lopes

 

novembro 2003

 

fontes várias

 

um T para a Matola ?

 

o governo moçambicano outorgou à Companhia de Gás da Matola uma concessão para a construção e exploração durante 10 anos de um ramal de gás natural ligando a Matola ao mega gasoduto Temane - Secunda, a partir de Komatipoort.

 

Segundo o anúncio governamental, este ramal de 75 km deverá estar concluído em finais de 2004, após um investimento de $ 20 milhões necessário ao transporte anual de 1.5 milhão Gigajoule (fase1).

 

O consórcio, que obteve a concessão sob termos que não foram tornados públicos, é liderado pela sul-africana Gigajoule Africa (40%) e inclui a empresa estatal moçambicana ENH (30%), para além de outros grupos locais (30%) não referenciados.

 

A Gigajoule, recentemente criada na África do Sul, é uma ilustre desconhecida no mercado de energia sul-africano. Pesquisas na web sugerem que a Gigajoule concentra as suas principais actividades na venda de equipamentos de segurança electrónica. No âmbito do sector de Energia, a Gigajoule Africa publicita o suporte de um grupo BEE sul-africano (Black Economic Empowerment) e "excelentes contactos" em Moçambique.

 

a África do Sul, uma das poucas economias mundiais baseadas no carvão, avança a bom ritmo na construção da sua rede primária de gás natural.

 

E, em menos de 10 anos, o gás natural poderá vir a representar 7% em termos de fontes primárias do país - ou mesmo 20% segundo perspectivas mais optimistas.

 

Além de consideráveis melhorias ambientais resultantes da progressiva substituição do carvão, o novo sistema de gás natural permitirá o urgente arranque de nova centrais eléctricas, bem como a melhoria de eficiências energéticas numa série de indústrias de ferro/aço e alumínio.

 

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