a intrigante leveza do alumínio

 

Embora a conversa tenha mais de 40 anos, a produção de alumínio só há poucos anos arrancou em força aqui pelas áfricas do Índico.

 

Mas, ao contrário do que previam os primeiros capitães da indústria, não foi no Vale do Zambeze que as fundições despontaram – foi antes em Richards Bay onde duas linhas de fornos (Hill e Bayside) ainda hoje creditam 500 000 toneladas à produção mundial de alumínio.

 

Num ápice, em 2000/03 outras 506 000 toneladas de produção anual (tpa) foram instaladas em Moçambique (Mozal I e II) pelos mesmos investidores - a BHP Billiton.

 

A julgar pelos últimos reports, tudo indica que o Índico continua a atrair os industriais do alumínio. De facto, para além de novas hipóteses no Vale do Zambeze, um novo investimento Pechiney está em vias de ser acordado com as autoridades sul-africanas para a instalação de uma linha de smelters em Coega (perto de Port Elizabeth) - mais 460 000 tpa de alumínio vendível.

 

Segundo contam, três serão os factores determinantes para a avalanche de investimentos nesta costa do Índico (6 biliões USD em 10 anos): energia eléctrica barata, baixos custos de contexto e uma boa posição face à geografia do alumínio.

 

Note-se contudo que todos estes modernos e eficientes smelters parecem cogumelizar-se segundo timings que confundem alguns analistas.

 

Isto porque 2003 será o quarto ano consecutivo de acumulação de significativos stocks. O que significa que a demanda incremental de alumínio continua a não acompanhar uma oferta em alto ritmo de crescimento.

 

Com uma capacidade produtiva mundial na ordem de 28.2 milhão tpa, em 2002 a indústria de alumínio viu-se forçada a fechar smelters menos competitivos (Pacific West e Brasil) face a uma demanda que dificilmente ultrapassava o patamar dos 24.5 MTPA (milhão tonelada por ano).

 

Mas este é um facto que em nada parece incomodar alguns alumineiros.

 

Na verdade, e muito embora se considere que só a longo prazo será necessário começar a adicionar 1 milhão TPA em novos smelters, prevê-se que, já em 2005, a capacidade de fundição global aumente para 32 MTPA sobretudo à custa de novas unidades na China, Rússia e Islândia - um calendário de investimentos industriais que parece 5/7 anos avançado relativamente ao que o padrão de demanda sugere.

 

Backwardation

 

Entretanto, os preços do alumínio têm mostrado um exótico comportamento.

 

Com diferenças na ordem de $ 30/ton entre o mercado spot ($ 1 440 entrega imediata) e o mercado de futuros a 3-meses da LME ($ 1 411/ton), o mercado de alumínio sugere sinais de backwardation - um fenómeno que é muito raro nos mercados, e que se traduz no facto de os fornecimentos cash contra imediata entrega serem mais caros que o das entregas a prazo. O que pode sugerir que alguém anda a ser espremido no plano dos compromissos imediatos.

 

Note-se que durante uma fase backward, os traders tendem a preferir quebrar contratos futuros – com toda a carga de custos que isso envolve –, para venderem posições em imediato cash delivery.

 

O que poderá ser o que aconteceu a 10 de julho 2003 quando um mega-trader suíço adquiriu uma significativa posição em stocks. Uma operação que fez subir o preço da tonelada de alumínio para $ 1 411 ( mais $12/ton) num mercado onde a maior parte dos stocks disponíveis parece já comprometida em especulações financeiras. Um mercado onde o alumínio valia $ 1,340/ton em Abril 2003.

 

Numa outra frente deste mercado, a alumina - matéria prima para a produção de alumínio - exibe sinais de grande agitação.

Sobretudo na China que foi obrigada a rever em baixa o seu programa de expansão alumineira dadas as dificuldades em adquirir alumina - uma matéria prima cujo preço duplicou desde Novembro 2002 – de $ 115 para $ 300/ton !!!

 

E muito embora a médio-longo prazo o mercado de alumina possa ser auto-equilibrado, analistas há que prevêem que a racionalização da indústria alumineira passará por uma maior integração vertical do circuito bauxite-alumina-alumínio.

 

O que me leva a uma questão final: em que mãos andam as bauxites e sienitos nefelínicos de Moçambique?

 

 

josé lopes

maputo - julho 2003

agosto 2003

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