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drama SPL em Mavoco
Tipicamente, ao fim de 4 anos de operação as indústrias de alumínio começam a ter necessidade de remover enormes quantidades de SPL (Spent Pot Lining) – um resíduo que acaba por forrar as paredes dos fornos das fundições de alumínio.
Devido à sua elevada periculosidade – o SPL contem significativas quantidades de flúor e resíduos de cianeto -, a remoção e gestão final deste dejecto químico exige cuidados extremos. No mínimo para que se mitigue a contaminação de pessoas, animais e outros vectores ambientais. Especialmente águas.
Justamente por isso, o SPL é considerado como um dos mais complexos problemas de gestão ambiental para as alumineiras. Sobretudo porque, ao fim de anos e anos de múltiplas contaminações, toda a gente concluiuque a descarga de SPL em lixeiras não é uma solução apropriada – mesmo que para isso se invoquem designs especializados.
Preocupados com a crescente proibição desse tipo de lixeiras, os produtores de alumínio têm sido forçados a adoptar soluções alternativas para o tratamento do SPL. E tudo indica que têm encontrado algumas.
Uma das supostas soluções - o Alcoa Portland SPL Process investigado desde 1992 - permite resolver o problema através de um tratamento especial do SPL. Uma técnica que permite recuperar flúor do SPL, e reutilizá-lo no processo de produção do alumínio com tangíveis benefícios económicos.
Este novo tratamento do SPL - para além de destruir cianetos - recupera o flúor como um fluoreno de alumínio, e reutiliza-o no processo industrial. Como by-product, resulta uma escória de granulados vítreos – uma areia sintéctica que foi aprovada para uso irresctricto pela EPA de Victória (organização que audita a Mozal). Um sintéctico para aplicações ditas benignas - tais como a composição de solos em estradas e/ou a substituição da areia na produção de betão. Em ambos os casos, os autores juram que os produtos naturais são conservados.
Segundo a Portland Aluminium, este tratamento SPL é sustentável, e oferece uma vasta panóplia de benefícios: zero desperdícios perigosos, destruição de cianetos e orgânicos, zero lixeiras para SPL, reciclagem de sais de alumínio e sódio, e custos absolutamente marginais. Para não falar na intrigante areia sintéctica aprovada pela EPA Victoria.
Aqui ao lado, na África do Sul, a questão SPL também mexe com a indústria de alumínio.
E no caso de Hillside (Richards Bay) desde há vários anos que as auditorias ambientais enfatizam a periculosidade SPL. O que levou o grupo BHP Billiton - o mesmo proprietário da Mozal - a estabelecer uma parceria com a Pretoria Portland Cement (PPC) com vista a atingir-se uma solução one-stop. Em Agosto 2000, estas empresas e o Estado chegaram finalmente a um acordo que "permite a adopção de técnicas seguras, económicas e ambientalmente responsáveis na lide do SPL"
Segundo eles, esta é uma situação em que todos ganham. As companhias de cimentos reduzem encargos energéticos, não ferem os perigosos limites das incinerações, e continuam a cumprir a norma ISO 14001. No processo, a Terra vê-se livre de perigosos contaminantes.
Já no caso do futuro smelter de Coega (Port Elizabeth) o governo sul-africano subiu a parada de exigências ambientais e, com base num EIA feito pelo consultor da Mozal, a Pechiney não deverá instalar lixeiras tipo Mavoco pelo que será obrigada a adoptar alternativas no tratamento de SPL - e a reduzir a zero os seus efluentes contaminados com flúor.
Ocorre que, nestes entretantos tecno-ambientais, por aqui o mistério SPL adensa-se – talvez à espera da percolação em Mavoco.
josé lopes maputo - julho 2003 |



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