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Anda um espectro à solta no mercado SADC
Em inglês dá pela sigla SoS e, embora recentemente seja visto com mais frequência vagueando os corredores eléctricos, o espectro já permeia muita da matriz energética sul-africana – do crude e derivados de petróleo ao urânio, do carvão ao gás natural por exemplo.
SoS, que em português equivale a Segurança de Fornecimento (Security of Supply), é um espectro velho como o mundo e há séculos que é instrumental na segurança energética das sociedades.
Com hábitos caros – e incomportáveis na maioria dos casos – SoS tende a propagar-se nos interstícios de integrações regionais mal resolvidas, como no caso do comércio SADC por aqui dito livre desde há umas semanas. Um comércio que libera batatas, tomates e biofuel, além de alumínio, gás e petróleo, mas, estranhamente, ele também um comércio que inibe electricidade – uma coutada de monopólios estatais com as eficiências que estão à vista.
Recorde-se que, historicamente, nunca houve nada de fundamentalmente errado com o conceito de Segurança de Fornecimento e, segundo penso, permanece consensual a ideia de que, mesmo no caso de mercados ditos maduros, continua a ser aconselhável reduzir e diversificar dependências energéticas na construção de soberanias.
Contudo, em épocas de intenso stress, como é agora o caso da Eskom, o espectro SoS tende a ser propenso a tiques isolacionistas, em particular onde prevalece a ilusão de que há muito dinheiro a gastar pelos monopólios estatais.
A história da energia também conta que, se não domados a tempo, estes tiques facilmente tendem a propagar fobias várias - umas mais visivelmente trágicas (como a recente xenofobia na RSA), outras mais camufladas como as que, no sector eléctrico por exemplo, minam a lógica de qualquer cooperação regional e chutam os custos SoS da região SADC para níveis estratosféricos de erro.
Na circunstância, e à medida que grassam nas periferias SADC, estes erros isolacionistas não só procuram perenizar a satelização de estados-empresas em torno do sol Eskom (veja-se o recente caso dos PPAs exacerbadamente nacionalistas) mas insistem também em transferir para as periferias os seus insustentáveis “desenvolvimentos” baseados em energia-intensiva.
Embora as mensagens Eskom se tenham tornado progressivamente mais claras e directas, pelo menos para mim, a sua hermenêutica nem sempre é apreendida pelas sinecuras mais vulneráveis ao marketing político.
Ao insistirem em ignorar os sinais Eskom, algumas destas burocracias periféricas, nomeadamente a moçambicana, deixam-se então contaminar pela síndrome da hiena, fase em que se distraem – e nos distraem – com extemporâneas ilusões (tipo mega-barragem de Mphanda Nkuwa: uma inexequibilidade confirmada pela avisada China quando há uns tempos se desligou desta ilusão hidroeléctrica).
Tipicamente, estas distracções estratégicas, propulsionadas a wishful thinking, não só impedem que se invista tempo e recursos em desenvolvimentos mais tangíveis, mas também servem, objectivamente, para negligenciar plausíveis apostas na segurança eléctrica primária de Moçambique. O que não deixa de ser estranho quando, lamentavelmente, o ambiente securocrata regional continua a ser dominado por medos vários.
josé lopes
numa fronteira SADC setembro 2, 2008
1. A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, conhecida por SADC, do seu nome em inglês, Southern Africa Development Community, é a organização sub-regional de integração regional dos países da África austral. 2. PPA – Power Purchase Agreement – acordos de compra/venda de electricidade. 3. Síndrome da Hiena – conjunto de sinais e sintomas normalmente associados a estratégias de investimento centradas na circunstancial fraqueza dos outros; esta síndrome é desde há muito popularizada no sambódromo Zambeze pelo refrão “o teu mal é o meu bem” e, historicamente, tem dado origem a múltiplas pragas de elefantes brancos.
in xitizap # 40 (set 2008)
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xitizap # 46 |
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da utilização das coisas |
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fragilidade Mphanda Nkuwa |
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espectro eléctrico |
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argentina 2008 |
TRADE NEGOTIATIONSDiscord over trade talks with EU sets backdrop for SADC meetingBy: Terence Creamer Published: 19th June 2009, 16:30
Southern African Development Community (SADC) trade ministers met in Cape Town on Friday against the backdrop of continuing unhappiness and division over the best way to proceed with economic partnership agreement (EPA) negotiations with the European Union (EU).
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