
|
Zambeze elementos em junho 2008 |
|
xitizap # 39 |
|
inquéritos em Massingir |
|
o senhor beberia? |
|
o modelo HCB |
|
Zambeze - parto 2008/09 |
|
vêm aí os Nukes |
|
soltas |
|
Zambeze – parto 2008/09
Quando há dias o revisitei, o Zambeze já preparava o seu próximo parto hidrológico num ambiente pré-natal descrito por alguns clínicos como moderadamente tenso; na verdade, a poucos meses das chuvas 2008/09, os relatórios disponíveis ainda não descartavam a hipótese de um novo mal-parir no Zambeze.
Certos da caducidade obstétrica das usuais terapias economicistas, e cientes de que, por ora, pouco poderiam fazer quanto ao aquecimento climático dos úteros ribeirinhos, tais clínicos optaram por se concentrar na adivinhação do sexo das novas chuvas – um El Niño ou uma La Niña?
Um dado que, segundo eles, muito ajudará a definir um quadro terapêutico que razoavelmente previna anómalos desprendimentos de águas em Cahora Bassa – uma maleita que nos últimos dois anos tem vindo a afectar a placenta de muitos dos nados-Zambeze.
Paralelamente, tais clínicos aceleraram as suas pesquisas sobre o impacto das tensões hidroeléctricas na serenidade do Rio já que, com o crescente enchimento da bolsa Kariba (72% actual contra 47% em 2007/08), em 2008/09 as descargas poderão assumir a forma de cascatas que, em série, certamente inundarão o colo do Zambeze.
Para eles, clínicos, de momento o que importava era privilegiar a segurança dos nados-Zambeze e não a constituição de obesas reservas – em particular porque, como se constatou nas últimas estações de chuva, tais reservas se mostraram não só hidroelectricamente inúteis - dada a indisponibilidade operacional HCB - mas também extremamente nocivas quando houve que descarregá-las à pressa para cima das gentes e propriedades no Rio.
Entretanto, e embora seja consensual a ideia de que a informação e coordenação hidrológica no Zambeze continuam a sofrer de crónica anemia (tal como revela a própria HCB), tais clínicos consideram que, na ausência de melhor, salvar o próximo nado-Zambeze exigirá o recurso a uma boa dose de vitaminas de senso comum vulgarmente conhecidas como volumes de espera - uma terapia de relaxação muscular do útero que é recorrentemente divulgada em qualquer manual de boas práticas hidrológicas e que, na circunstância, é infinitamente mais barata que a milionária factura anual das intempestivas descargas HCB.
Como em todos os partos, à mãe Natureza se pedirá o melhor. Mas no Rio Zambeze também se sabe que, quando o parto tende a ser difícil, uma boa parteira pode fazer a diferença – chamar o Estado talvez.
josé lopes
às voltas com fraldas julho 10, 2008
|