|
para-modelo HCB josé lopes
via webs, recentemente tive acesso à comunicação que, em Setembro de 2008, a HCB (Hidroeléctrica de Cahora Bassa) apresentará ao 50 Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia sob o título “Gestão Hidrológica da Albufeira de Cahora Bassa em períodos críticos (Cheias e secas)”.
Pelo que leio, é-me possível constatar o seguinte:
1. A gestão hidrológica HCB assenta num modelo fechado sobre si próprio que explicitamente estabelece os interesses do empreendimento como seu exclusivo paradigma. As fronteiras adoptadas no modelo HCB (geração hidroeléctrica e segurança hidráulica-operacional) evidenciam um incompreensível alheamento relativamente a outras cruciais forças-motoras do sistema Zambeze – i.a. população, biodiversidade e segurança ambiental.
2. Esta incompletude fronteiriça é agravada pela não adopção de feedacks indispensáveis à alimentação e refinamento do modelo HCB - i.a. internalização de impactos anuais de evitáveis descargas em regimes críticos, flexibilidade táctica em estágios de reassentamento populacional, níveis de prontidão técnica (central + substações Songo e Apolo + transmissão HVDC).
3. Como é vulgar em modelo lineares assentes em “escassa e pouco precisa informação hidrometeorológica, inclusivamente a da previsão de gestão das barragens a montante”(sic HCB), o impacto dos erros de input na sua calibração é significativo, tal como é recorrente nas ciências da água - em particular em sistemas “com alto nível de aleatoriedade dos fenómenos que estão na origem da precipitação e consequentemente do escoamento”(sic HCB). A este respeito observem-se as discrepâncias previsionais quanto à intensidade e timing de escoamentos aquando das duas últimas estações de chuva, p.e.
4. Como seria previsível num modelo de gestão hidrológica tão intensamente auto-centrado, a HCB acaba por testar-se a si própria em termos de eficiência, segundo padrões e métodos que se restringem à valoração dos seus interesses empresariais.
5. A cadeia decisória da gestão hidrológica do Zambeze, tal como é reflectida nesta comunicação científica da HCB, ou está mal apresentada, ou então traduz um sistema difuso de responsabilidades. (observe-se o relato da sequência da estação de chuvas 2007/08 e recorde-se as divergências relatadas no Parlamento aquando da estação 2006/07, p.e.)
Danos Zero
Num quadro conceptual com este nível de incertezas, e atendendo à magnitude dos riscos, volto a insistir na necessidade de rapidamente se expandirem as fronteiras do actual modelo HCB para além do universo economicista - o que, a curto prazo, passa pela adopção de drásticas medidas tendentes a Dano Zero que salvaguardem a segurança humana e ambiental do Vale do Zambeze.
Medidas como:
(a) o condicionamento da produção comercial HCB a volumes de encaixe hidrológico que assegurem confortáveis margens de segurança a jusante da HCB, (b) o reforço da coordenação hidrológica e operacional entre os operadores de Cahora Bassa, Kariba e Kafue, (c) a sincronização dos planos hidrológicos e eléctricos, e, last but not least, (d) a difusão transparente de informação de interesse mais que público – nomeadamente cartas de risco e zonamento de áreas inundáveis, poder destrutivo das ondas de descarga e seus tempos de propagação, por exemplo.
Embora seja impossível assegurar-se um absoluto Dano Zero, é perfeitamente possível, e quanto a mim mandatório, para ele tender-se. Basta que a HCB o assuma como parâmetro de gestão hidrológica e de Responsabilidade Social.
josé lopes
julho 9, 2008
ps – é curioso notar que, apesar de a HCB se lamentar quanto à escassez de informação vital aos seus planos empresariais, esta empresa hidroeléctrica continua a primar pela omissão da sua.
|

|
xitizap # 39 |
|
inquéritos em Massingir |
|
o senhor beberia? |
|
o modelo HCB |
|
Zambeze - parto 2008/09 |
|
vêm aí os Nukes |
|
soltas |