o petróleo do Iraque

 

dois artigos, duas perspectivas

num Financial Times de Março 2003 , Daniel Yergin escrevia

Petróleo do Golfo: by the way, qual a sua importancia ?

 

por essa mesma altura, por Daphne Eviatar, a Newsweek publicava

what Big Oil wants?

 

em adaptação livre seguem excerptos destas duas opiniões

no primeiro preto & branco de xitizap

Text Box: a meio da segunda guerra mundial
Franklin D. Roosevelt enviou ao Médio Oriente o seu mais eminente geólogo, Everette Lee DeGolyer. Ainda jovem, nos inícios do século XX ele havia descoberto um enorme campo de petróleo que viria a inaugurar a idade de ouro do petróleo mexicano. Nesses anos de 1920s, DeGolyer mostrava-se tão entusiástico na promoção da nova tecnologia de exploração sísmica que se dizia que ele era louco por dinamite.

Roosevelt queria que DeGolyer respondesse a uma questão fundamental: para o futuro do mundo, quão importantes serão as reservas de petróleo do Golfo Pérsico? E hoje, de novo esta mesma questão se coloca, e agora cruamente pela guerra com o Iraque. Actualmente, a questão é mais importante devido ao generalizado convencimento que a crise iraquiana não é a propósito de armas de destruição maciça mas antes, e de modo sombrio, acerca de petróleo. Contudo estas asserções são frequentemente feitas de forma isolada, sem uma compreensão global do cenário mundial do petróleo.

Naturalmente, e embora a questão possa ser a mesma, o ponto de partida para a missão de DeGolyer em 1943 era muito diferente do actual. Na altura, o petróleo do Iraque havia sido descoberto há apenas 16 anos, em 1927. Detectado nas proximidades de Kirkuk, na parte kurda do Iraque, esse achado de petróleo permanece como a primeira descoberta comercial no mundo árabe, e abriria caminho para o desenvolvimento petrolífero nos países árabes

Text Box: o que querem os poderosos do petróleo ?

reganhar influencia sobre os grandes campos de petróleo do Médio Oriente de onde, há quatro décadas, foram expulsas as companhias ocidentais.

O posicionamento para a partida já começou, e a corrida parece poder vir a ser ganha por empresas americanas e britânicas: ExxonMobil, ChevronTexaco, Shell e BP. De acordo com insiders do negócio, estes gigantes são por agora os corredores da frente, em parte porque é suposto que as tropas da coligação US/UK acabem por tomar controle sobre Bagdad, o que não pode senão influenciar a escolha de parceiros de negócio por parte do Iraque. Mais importante ainda, as maiores companhias privadas do mundo são as únicas que se podem permitir, quer a restaurar a produção de petróleo iraquiano .... quer a desenvolver os seus vastos novos campos.
Para que possam proteger as suas dezenas de biliões no Iraque pós-guerra, os gigantes do petróleo apostam em impor um controverso tipo de contrato que lhes dará uma fatia sobre a propriedade dos campos de petróleo, para além de garantias quanto a isenções de taxas e leis ambientais durante a vida do projecto. Até hoje, as companhias petrolíferas têm ganho estes negócios, conhecidos como PSAs (production-sharing agreements, ou de produção partilhada), principalmente nos estados fracos que pouco mais sabem do que oferecer o que têm em armazém – mas nunca isso aconteceu nos países do grande Médio Oriente. A questão não é o petróleo per se, mas antes observar-se as grandes companhias internacionais de petróleo a alterarem os termos do seu envolvimento na região através de acordos de produção partilhada, como diz o saudita Nawaf Obaid, um analista de petróleo e segurança.

De certa maneira, o Big Oil desejaria atrasar os relógios à época anterior à grande vaga de nacionalizações dos anos 1970s, quando as Sete Irmãs foram empurradas para fora de grande parte do Médio Oriente e da América latina. Hoje, todos os grandes produtores de petróleo são monopólios estatais que controlam a grande maioria dos campos de fácil acesso, da Arábia Saudita ao México. Frequentemente, os gigantes privados como a ExxonMobil vêem-se envolvidos em tremidos contratos de serviço, e só possuem reservas no seu próprio país ou em cada vez mais remotas e perigosas regiões, dos mares profundos à Ásia central. Dados os riscos, as companhias de petróleo começaram a procurar maneiras que criem o mais possível de estabilidade a longo prazo, e foi assim que pela primeira vez apareceram os acordos de produção partilhada, logo depois de terem começado as nacionalizações.
Frequentemente adoptados como lei pelo parlamento do país hospedeiro, estes negócios sobrepõem-se às leis fiscais, ambientais e de segurança do país durante anos – por vezes por mais de meio século. No caso de conflitos entre as companhias e o governo, eles são decididos por árbitros privados em Londres ou Paris, em circunvenção dos tribunais locais. Mas o melhor para as companhias é que o contrato lhes garante uma fatia de propriedade que pode ser contabilizada como património no balanço da empresa, o que tende a fazer subir a cotação das suas acções.

Contudo, os países petrolíferos mais desenvolvidos e mais sábios consideram estes negócios como uma armadilha que restringe o seu poder soberano para ditar leis e controlar os seus próprios recursos naturais. Do México aos mais importantes países produtores de petróleo, todos eles se recusaram a assinar PSAs (acordos de produção partilhada). Sob pressão das sanções UN de 1990, o Iraque acabou por assinar ou rubricar PSAs com companhias francesas e russas, mas as próprias sanções acabaram por impedir a realização destes negócios.

Se os USA e seus aliados vierem a gerir o futuro Iraque, o que há a esperar é que as regras do petróleo mudem dramaticamente.... e isto poderá ser uma enorme oportunidade para as multinacionais reconquistarem o controle sobre a propriedade do ouro negro... Hoje em dia, este tipo de acordos (PSA) governa os projectos de gás e petróleo do Equador ao Tchad, passando pela Rússia. São vulgares no oeste de África, onde países pobres com governos instáveis estão sequiosos de investimento estrangeiro. Um novo governo no Iraque pós-guerra estará igualmente desesperado por esse tipo de investimento, mas ele só virá a um preço. Contudo, cada vez mais ajuizados, os países produtores de petróleo têm vindo progressivamente a acautelar o poder a ceder nesses negócios a favor das companhias. ... mas claro que as grandes multinacionais estarão alerta contra este tipo de rebelião.
Segundo se reporta, estas companhias já tiveram encontros com a administração Bush e exilados iraquianos incluindo executivos da indústria de petróleo para expressarem a sua preocupação quanto ao futuro do petróleo iraquiano. Embora não seja exactamente claro o que foi estabelecido nesses encontros, os analistas assumem que a questão central se centra sobre quem controlará o petróleo, e em que termos. Para que o petróleo comece a jorrar, as autoridades de ocupação terão que se voltar para as maiores multinacionais, e haverá muita competição. E como faz notar um recente report do Deutsche Bank, qualquer suporte que a França, Rússia e China venham a prestar a uma acção das Nações Unidas no Iraque poderá muito bem ser ao preço de uma provisão que estabeleça que eles virão a ter um papel económico no Iraque pós-Saddam.

Não são apenas as empresas americanas que querem meter a mão nas regras do petróleo pós-Saddam,
é tudo o que é Big Oil !
Text Box: Daniel Yergin

o petróleo do Golfo:
by the way, qual é a sua importância ?
Text Box: Daphne Eviatar

what Big Oil wants ?
Text Box: preto & branco

allo !

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