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as Docas de Chongoene
Corridor Sands Limitada (CSL) faz jus ao nome! e agora exige rasgar corredores mar adentro sugerindo um exclusivo Porto no Chongoene.
O projecto de cais (tipo jetty) violentará a orla costeira de dunas – teoricamente sob protecção –, e penetrará o mar por mais de 200 metros.
Numa duna logo atrás, a Corridor Sands implantará uma metálica teia de silos para escórias de dúbia benignidade. Tudo cercado por parkings desenhados para minérios e poeiras industriais diversas a céu aberto.
Por questões de maximização do saque, a WMC (Western Mining Corporation) concebeu as docas para uma carga equivalente a 2 meses de produção mineiro-industrial.
Entretanto, e muito para além da faixa de costa Xai-Xai - Chongoene - Chidenguele, a visão Corridor Sands (WMC) contempla novos pacotes de exóticos turismos - numa gama que vai de eclipses de corais e reefs ... a corridas de barcos junto às linhas de costa.
Corridas, nomeadamente de navios class Handimax (40 000 toneladas), que escalarão Chongoene ao frenético ritmo de 2 cargueiros por semana (regime de pico). Numa outra variante, e caso a WMC exija maiores profundidades, esta actividade desportiva será então dominada por navios Panamax (70 a 80 000 tons); para o efeito, à WMC bastará invadir mais uns larguíssimos metros mar adentro - a menos que opte por dragar peixes, corais e linhas de reef, enfim, TUDO - é que, hoje em dia, nunca se sabe.
Importa notar que o marketing Corridor Sands é todo ele pimposamente multimedia. E, no Chongoene, a campanha combina uma série de novas imagens e sons - e muitas perplexidades.
Num dos seus futurísticos folhetos, por exemplo, é possível detectar o ensurdecedor batucar de imensas frotas de camiões transportando minérios e poeiras ao longo de um corredor privativo (66 km) ligando a mina de Chibuto às docas de Chongoene.
Para estes novos batuques, a Corridor Sands contratará uma banda heavy metal com mais de 200 mega-veículos. Dia e noite, e a um ritmo que poderá ultrapassar mais de 10 composições por hora, estas frotas de camiões (42 metros de comprimento, 2.5 m de largura e peso bruto de 152 toneladas) emprestarão ao silêncio uma alienígena sonoridade – em acrescento aos decibeis das escavadoras non-stop no Chibuto.
Tanto quanto sei, esta bizarra opção por um Porto Chongoene contraria frontalmente o espirito e letra das disposições governamentais quanto à protecção das costas de Gaza – nomeadamente as dos Ministérios do Turismo e Coordenação Ambiental.
Tanto quanto sei também, a licença anteriormente concedida à Corridor Sands (WMC) não abordava sequer a hipótese de docas no Chongoene. Tal licença previa que os fluxos de carga se fizessem ferroviariamente, via ramal de meros 86 quilómetros entre Chibuto e a grande linha CFM do Limpopo. Duzentos e vinte oito kilómetros depois, o titânio desembocaria no Porto Matola (Maputo) - que, aliás, está pronto a recebê-lo.
Intrigantemente, e muito ao contrário do que se passa com a maior parte dos países que hoje hospedam areias pesadas – Quénia, Madagáscar e África do Sul por exemplo – em Moçambique todos estes complexos licenciamentos fluem com surpreendente facilidade. Surpreendente e perigosa, diria mesmo.
E perigosa, porque, frequentemente, são estas ligeirezas que acabam por matar as galinhas ... e os ovos de ouro. É pelo menos o que conta a velha história dos titânios.
josé lopes
Chidenguele, abril 2004 |
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xitizap # 11 abril 2004 |


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a opção inicialmente aprovada
para a exportação dos minérios de Chibuto (e importação de químicos vários) previa uma ligação ferroviária entre Chibuto e a grande linha do Limpopo (actualmente sob trabalhos de modernização)
Com 86.5 km, o ramal ligaria Chibuto à Aldeia da Barragem de onde o tráfego seguiria em direcção ao Porto Matola (Maputo) após 228 km de percurso. |
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xitizap # 11 |
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