xitizap # 49

 

setembro 2009

 

leia 550+ páginas dos 2 mais recentes relatórios Mphanda Nkuwa (julho 2009) aqui:

 

o EPDA e os TDR do EIA versão integral PDF

 

www.impacto.co.mz/relatorios.html

 

 

Antecipações sismogénicas

 

Apesar de os agora propostos TdR (EIA) recomendarem uma “investigação sismológica detalhada” em Mphanda Nkuwa, é curioso notar que o EPDA não se exime a divulgar uma nota técnica antecipando que “… Nem a sismicidade induzida, nem a sismicidade natural são de molde a poder constituir uma questão fatal, susceptível de inviabilizar a construção da barragem. (Anexo B.3 – Documento COBA).

 

Embora esta antecipação técnica pressagie bons augúrios sísmicos em Mphanda Nkuwa, creio que, no estado cognitivo actual, ela apenas vale como conjectura - em particular se à definição de questão fatal utilizada neste EPDA se acrescentar uma outra vulgar qualificação: “… excepto a custos proibitivos”. O que parece relevante quando, em estado embrionário ainda, o custo previsto para a obra já atinge os 2 biliões de dólares US.

 

Esperançadamente, e para que nos deixemos de conjecturas quando na próxima década se voltar à reavaliação desta mega-barragem, deverá ser exigível que, no mínimo, e ao contrário do que se passou durante este EPDA, a caracterização da tectónica e sismicidade da região não só reflicta, substantivamente, o impacto dos ainda inacessíveis dados sísmicos de Cahora Bassa (60 km a montante), mas que, além do Shire e do Rift mais Oriental, ela se estenda também a Oeste (Lwangua e médio Zambeze) … e à reavaliação dos respectivos PGAs.

 

Por outro lado, e agora em termos de sismicidades induzidas por reservatórios (SIR), julgo ser fundamental que, ao invés de uma formulação exclusivamente encapsulada na hipotética albufeira de Mphanda Nkuwa (sistematicamente referida como pequena quando comparada com a de Cahora Bassa), o fenómeno seja analisado, e de forma dinâmica, na vertente tandem do seu binário com Cahora Bassa - e sem que se esqueçam também os conselhos de Simpson e Negmatullaev quanto à necessidade de se garantir que as albufeiras se encham de forma suave e controlada, e não em menos de 30 dias como se prevê neste EPDA.

 

Ainda a respeito destas sismicidades induzidas, e embora o EPDA admita que uma albufeira em Mphanda Nkuwa poderá precipitar roturas em eventuais falhas sismogénicas, e assim induzir sismos, o anexo COBA parece-me sobre-taxativo quando refere que tais sismicidades induzidas não geram sismos de magnitude superior ao da sismicidade natural da região – uma opinião que deve ser contrastada com, entre outras, a de Gupta, que, ainda recentemente, era citado como afirmando:

 

The magnitude of the foreshock is higher than the magnitude of the aftershock and both values are generally higher than in cases of natural earthquakes.[UPDATE OF THE RESERVOIR INDUCED SEISMICITY OF BRAZIL – 2008] 

 

josé lopes

 

set 2009

 

PS - quanto a SMPs e cUS/kWh … (continua)

 

Neste EPDA, entendeu-se “Questão Fatal” como:

Qualquer problema, lacuna ou conflito (real ou perceptível) que destrua ou inviabilize uma solução ou um processo. Um efeito negativo que não possa ser substituído por qualquer benefícios de outros factores.” (www.deenalarsen.net/guide/terms.)

xitizap # 49

Mphanda Nkuwa unplugged

take # 1 - hidrologia

take # 2 - geologia

take # 3 - sedimentos

Richter e os Megawatts

soltas

 

 

 

Nota (abril 2010):

 

Mphanda Nkuwa e Estudos Ambientais 2009

 

Os links da Impacto (consultora ambiental) e da HMKN (promotora) apostos nesta edição xitizap # 53 deixaram de funcionar.

 

Mas como pode ir continuando a ser  necessário a re-consulta, xitizap cede 25 dos seus MBs, e passa a disponibilizá-los em PDF

 

EPDA (complete, 24 MB)

 

futuros ToR EIA

 

 

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