xitizap # 41

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esqueceram-se do chinês ?

 

 

Briga de mineiros leva o Dragão a rosnar

 

ou,

de como a China intervém para protelar super-consolidação

 

por Keith Campbell *

 

Seja qual for o resultado das tentativas de consolidação no topo do negócio metal-mineiro, há uma coisa que se tornou muito clara: o que há anos vinha sendo referido com insistência, tornou-se agora realidade - o factor chinês é real e muito importante.

 

Actualmente, os dois grandes negócios mineiros são a tentativa de takeover hostil da BHP Billiton sobre a Rio Tinto e uma iniciativa, ainda não official, da Vale (ex-CVRD) para adquirir a Xstrata.

 

Mas tudo indica que foi o avanço da BHP Billiton sobre a Rio Tinto que acordou o dragão chinês, e o que alguns esperavam que permanecesse circunscrito ao mundo dos grandes negócios e alta-finança acabou por se tornar uma questão de alta-política e de estratégia nacional.

 

No papel, a aquisição da Rio Tinto pela BHP Billiton não criará um monopólio no fornecimento mundial de minério de ferro. Mas, como foi apontado pela Confederação Europeia das Indústrias de Aço, a operação implicará que, a nível global, 80% do minério de ferro comerciado maritimimamente venha a ser controlado por apenas duas companhias (sendo a outra a Vale) - em vez de três como actualmente acontece.

 

Para a China, esta aquisição da Rio Tinto pela BHP Billiton causará, não só uma dependência estratégica muito mais delicada, mas, também, o inevitável aumento dos seus custos - pelo que não é surpreendente que o negócio não “A” agrade.

 

Neste processo, os dirigentes da BHP Billiton subestimaram, claramente, a eventual hostilidade de Pequim. Considerando-se como “activos” no país, e já fartos de encontros com funcionários seniores chineses, os executivos BHP-B parece terem pensado estar em chão-seguro após as promessas que foram fazendo quanto ao não-abuso da sua posição quasi-monopolística. Mais ainda: à China, a BHP Billiton ia prometendo maior e melhor escala nos fornecimentos de minério de ferro.

 

Ingénuos que eles foram!

 

Recorde-se que, em termos de vários inputs-chave, a economia da China é hoje dependente de importações. Isto acontece desde os 1990s mas, provavelmente, é a primeira vez nos seus quatro mil e tal anos de história que a China atinge um tão delicado nível de dependência em cruciais importações.

 

Esta nova situação deverá ter criado um certo grau de insegurança entre as mais altas chefias chinesas do Partido Comunista, do governo e das forças armadas (PLA); mas vale a pena lembrar que os executivos metal-mineiros não são famosos pelos seus conhecimentos históricos – ou sequer pela sua sensibilidade à História.

 

O PLA - o conjunto das forças armadas da China – é habitualmente considerado como a instituição mais poderosa do país logo a seguir ao Partido Comunista, ele próprio. A influência PLA estende-se muito para além de matérias puramente militares, e duvida-se que alguém da BHP Billiton se tenha dado ao incómodo de ter tentado encontros com figuras-chave do Estado General PLA.

 

Note-se que a questão do Aço (e primariamente do minério de ferro) não é um assunto não-militar. O Aço é essencial na produção das grandes superfícies dos navios de guerra, de submarinos, de tanques e outros veículos armados, de peças de artilharia e de outras armas várias. E qualquer coisa que possa provocar o aumento dos custos do Aço na China afectará, directa e negativamente, o programa de modernização militar do país.

 

Daí que permitir-se que uma única empresa estrangeira domine a longo prazo o fornecimento de minério de ferro do país poderá, de facto, constituir uma ameaça à segurança nacional chinesa.

 

Mas será que alguma vez a BHP Billiton realmente acreditou que as suas meras promessas seriam suficientes para acalmar uma grande potência quando assuntos tão importantes – culturais, histórica e estrategicamente – estão em jogo?

 

Em 1 de Fevereiro, a empresa estatal chinesa Chinalco, em parceria com a Alcoa (US), causou surpresa no mundo de negócios quando, em conjunto, adquiriram 9% da Rio Tinto (12% na listagem Londres).

 

Interessa agora lembrar que, sendo o ataque-surpresa um dos princípios centrais que há milénios doutrina a estratégia militar chinesa, não surpreende que abundem especulações quanto ao que a China fará a seguir. Mas uma coisa parece clara: os chineses querem “um lugar à mesa” quando se trata de determinar o futuro da Rio Tinto.

 

Entretanto, o China Development Bank (uma outra instituição estatal) é referido como estando em negociações com a Glencore quanto à compra da sua participação na Xstrata – o que poderá descarrilar a tentativa de compra deste grupo anglo-suíço pela Vale (ex-CVRD). Por outro lado, quem sabe se os chineses estarão felizes com uma parceria Vale na Xstrata? Ninguém – ainda.

 

O que se sabe é que o China Development Bank também já estabeleceu uma parceria estratégica com a Anglo-American visando projectos conjuntos de mineração, particularmente em África e na própria China.

 

Ainda neste processo, os media de Hong Kong vão reportando que a China Investment Corporation, um poderoso fundo soberano chinês ($200 bn ao seu cuidado, dos quais 70 a serem investidos fora da China), tem mantido conversações com um hedge-fund americano com vista à compra de 16% da Fortescue (o terceiro maior produtor australiano de minério de ferro).

 

Mas será que foi a iniciativa da BHP Billiton que despoletou todo esta vaga chinesa no mundo mineiro?

 

A questão não pode ser respondida porque, em Pequim, o processo decisório ainda permanece muito secreto. Mas o que é facto é que os chineses demonstraram, uma vez mais, a sua capacidade de, rapidamente, produzirem grandes decisões.

 

Entretanto, e qualquer que possa ter sido a exacta relação causa-efeito, é evidente que o Dragão está agora acordado. E este é um dragão que terá de ser tido em conta em qualquer grande negócio metal-mineiro que possa influenciar o mercado chinês.

 

E a lição que agora fica é: primeiro, falem com os chineses; façam uma parceria com eles; só depois ataquem as vossas presas.

 

* Keith Campbell

Senior Contributing Editor

Mining Weekly (Feb 15-21 2008)

 

tradução livre xitizap

 

Nova Aurora em terras da China?

 

Na sua sessão de Out 9-12, o Partido Comunista da China aprovou uma série de reformas rurais visando “estimular um crescimento guiado por forças de mercado no campo e estreitar a enorme disparidade entre chineses rurais e urbanos.”

 

Embora por agora não se chegue à privatização e compra/venda da Terra historicamente concedida aos camponeses, as novas políticas chinesas permitem o arrendamento e comercialização dessas áreas – incluindo transacções similares às hipotecas que recentemente afundaram o mundo.

 

Segundo alguns, constitucionalmente, estas reformas roçam a condição de tsunami ideológico – na China, e alhures.

 

A ver vamos …