xitizap # 41

os Donos do Mundo ?

esqueceram-se do chinês

descubra a Mozal 3

astro stuff

soltas

A Costa Leste de África e o Oceano Índico - 700 a 1500

 

 

 

 

A Costa Leste de África e o Oceano Índico - 700 a 1500

 

Durante este período, ao longo de toda a linha de costa entre o Cabo Guardafui e a boca do Zambeze os contactos com outras partes do Oceano Índico eram mais importantes do que com o interior da África Oriental. Isto devia-se, parcialmente, ao carácter inospitaleiro das terras imediatamente interiores. Mas muito mais importante era o facto de a costa leste de África ser parte da rede de comércio do Oceano Índico. A costa recebia não apenas uma larga gama de importações mas também uma importante adição populacional sob a forma de imigrantes do sudoeste asiático.

 

Este envolvimento comercial remonta aos grandes dias do Império Romano (século I ao século IV A.D.) e provavelmente mais cedo, mas foi apenas com a ascensão dos Árabes e do Islão que este quadro se tornou totalmente claro. A partir do século VIII os mercadores mais activos ao longo da costa africana de leste eram Árabes de Oman e Persas arabizados da região de Shiraz. Por volta do século XI estes mercadores também estabeleceram contacto com Madagáscar. Por seu turno, o Golfo Pérsico estava ligado por rotas terrenas e marítimas quer com a Europa quer com o Extremo Oriente; isto explica porque razão, já no século X, Manda (a norte de Mombaça) recebia porcelanas chinesas. Os principais artigos trazidos para a África de leste eram vestuário e olarias. Durante a maior parte deste período as principais exportações da região eram produtos animais (marfim principalmente) e escravos (embora estes apenas fossem adquiridos em grandes quantidades na zona do Corno de África). Contudo, no século X, o ouro da zona que é hoje conhecida como Zimbabwe começou a atrair os comerciantes para regiões tão a Sul como Sofala e, por volta do século XV, o ouro era de longe a mais importante exportação da costa oriental de África.

Os mais remotos estabelecimentos árabes permanentes (e.g. Mogadíscio, Brava, Manda) foram fundados nos séculos VIII ou XIX no Golfo Pérsico. Imigrantes desta área e da Arábia do Sul continuaram a mover-se aos poucos para a África Oriental mesmo até ao século XIX. A expansão para Sul a partir da Costa Banadir continuou lentamente até ao século XII quando um aumento da migração foi associado com um grupo dominante conhecido como os Shirazi. Eles colonizaram muitos locais entre as Ilhas Lamu e Sofala. O mais importante dos seus povoados era Kilwa que, por volta do século XIV, exercia o controle exclusivo sobre o comércio de ouro de Sofala (à custa do anterior primado de Mogadíscio).

Sucessivos grupos de imigrantes árabes acabaram por se miscigenar com africanos costeiros falantes de Bantu criando no século XIV uma sociedade de cidades-estado cuja religião era o Islão, e cuja língua era o Swahili. Quer a religião quer o comércio levaram estes habitantes da costa a olharem para o oceano como a sua principal via de comunicação. À excepção dos itinerários do ouro na zona perto do Zambeze, eles não viajavam para o interior; em vez disso, o marfim e as peles eram trazidos até às cidades costeiras por comerciantes do interior imediatamente adjacente. Só por volta do século XIX é que os habitantes costeiros viriam a estabelecer as suas próprias rotas comerciais de longa distancia para o interior do continente africano.

estes mapas & textos sacados de :

 

 

A Costa Leste de África e Madagáscar – 1500 a 1840

 

 

Por volta de 1510 os Portugueses tornaram-se a potência dominante na costa oriental de África. Apesar de não terem conseguido estabelecer um monopólio total sobre o comércio do Oceano Índico, a sua presença teve sérias consequências no comércio leste africano. A maior parte dos navios Portugueses viajavam directamente de Moçambique para Goa (e vice versa). Os portos costeiros mais a Norte entraram portanto em declínio, e Kilwa mais que todos já que o comércio do ouro de Sofala havia sido retirado das suas mãos. Contudo, a posição de Portugal nesta costa estava longe de ser segura. Ele era ameaçado por invasões periódicas do interior (nomeadamente os misteriosos Zimba, 1587-89); os Turcos Otomanos, que haviam tomado controlo do Mar Vermelho em 1540, começaram a fazer incursões na costa leste de África; e os próprios Swahili das cidades revoltaram-se. Desde 1652 que estas revoltas foram apoiadas por Árabes Omani que haviam expulso os Portugueses dos seus próprios territórios e pretendiam agora recuperar a sua tradicional ascendência no leste de África. Esta combinação mostrou-se fatal para os Portugueses e, por volta de 1700, eles já haviam sido expulsos da costa a Norte de Cabo Delgado. Similarmente, o controle Oman sobre a costa leste de África também não foi muito grandioso. Muitas das cidades costeiras seguiram o seu próprio caminho, nomeadamente Mombaça sob a celebrada família Mazrui (de origem Omani).

 

No século XVIII, pela primeira vez os Portugueses passaram a estar acompanhados por uma outra potência Europeia – os Franceses.

 

O interesse dos Franceses na costa não era directo, mas dependia das Maurícias e Bourbon (agora Reunião). A partir dos anos 1720s os Franceses desenvolveram nestas ilhas extensas plantações de café trabalhadas por escravos. Inicialmente, a costa leste de Madagáscar satisfazia os requisitos de mão-de-obra, mas cedo os comerciantes Franceses passaram a visitar as terras do continente também.

 

Acordos de comércio de escravos foram estabelecidos com os Portugueses em Moçambique em 1735 e com o Sultão de Kilwa em 1776. Agora a Costa Oriental de África tornava-se ligada pelo comércio de escravos a uma economia de plantações, comparável às das Caraíbas que haviam sido servidas pela África Ocidental. Esta ligação tornou-se ainda mais forte quando um poderoso Sultão de Oman, Sayyid Said, começou a desenvolver plantações de cravo-da-Índia em Zanzibar e Pemba (por volta de 1818), usando trabalho escravo do continente. Quando em 1840 Sayyid Said transferiu a sua capital para zanzibar, ele já havia subjugado a maior parte da costa Swahili (incluindo o estado Mazrui de Mombaça).

Os efeitos indirectos do comércio de escravos nas sociedades Africanas eram já evidentes. Em Madagáscar o reino de Imerina fornecia escravos a troco de armas-de-fogo. Com a ajuda destas armas, em 1810 este reino já havia expandido o seu controle sobre todo o planalto central da ilha.

A Costa Leste de África e Madagáscar – 1500 a 1840