num outro lado da Terra,

 

mas agora na América Central, há séculos que os astrónomos Maia procediam ao meticuloso registo das suas observações celestes com o intuito de aperfeiçoarem os seus calendários astrais.

 

A civilização Maia, com traços tão remotos como 1000 a.C., teve o seu período clássico entre os anos 300 e 900 d.C. mas, tal como no caso de outras distintas civilizações, são escassos os registos que dela sobreviveram.

 

Na verdade, a partir de 1519 d.C., ocorre mais uma catástrofe intelectual na sequência da chegada dos invasores espanhóis que, sob a arrogante capa de uma fé fundamentalista dita cristã, deliberadamente destruíram quase todos os registos escritos dos Maias.

 

Entre os poucos documentos que sobreviveram a tal vandalismo fundamentalista o Dresden Codex revela-se como o mais importante, e nele são descritas tabelas astronómicas lidando com eclipses ao longo de ciclos cronológicos que se estendem por mais de 405 meses lunares.

 

Julga-se que os Maias, tal como outras civilizações do mundo, usavam os registos históricos de eclipses lunares para calcularem a sua frequência e localização, de forma a adivinhar suas sortes. Sortes que pareciam privilegiar Vénus, dado que as suas previsões sobre o planeta (estrela da manhã/estrela da tarde) são descritas com uma frequência tal que só pode implicar uma transcendente importância de Vénus para a civilização Maia.

 

Embora poucos documentos tenham sobrevivido às conquistas europeias, felizmente os Maias esculpiam em materiais duradouros. Todos os vinte anos, eles erguiam pilares de pedra onde registavam a data de construção e os principais acontecimentos dos anteriores vinte anos, para além do nome dos nobres e religiosos.

 

Nessas e noutras esculturas, os Maias usavam caracteres estilizando as suas divindades e, para o registo de números, pelo menos desde 400 a.C., os Maias usavam uma notação que é hoje conhecida como traço e ponto. Uma notação que se baseava num sistema posicional de base vinte, com uma aparente anomalia na terceira posição.

 

Os Maias, para quem os calendários tinham enorme importância, preparavam três calendários dos quais o terceiro, “a longa contagem”, se baseava em cronologias datando de 3013 a.C.

 

Embora não existam evidências documentando o uso de fracções ou de trigonometria por parte dos Maias, eles revelavam-se certamente capazes de estabelecer previsões rigorosas para os seus vários ciclos sagrados com base na enorme riqueza acumulada de observações astronómicas.

 

Pouco se sabe sobre a matemática astronómica Maia, e é muito difícil estabelecer se esta civilização chegou, ou não, a uma mais profunda compreensão dos eclipses solares.

 

Mas o que é facto também, é que os historiadores modernos prosseguem ainda a análise do Dresden Codex, e persiste o debate quanto ao modo de correlacionar a cronologia Maia com o sistema de datação moderno. Provavelmente, estas investigações permitirão melhorar a interpretação da estrutura dos nomes e dias Maia, e sobretudo relacioná-la com a Tabela de Eclipses inscritos no Dresden Codex.

 

Civilização Maia