mozal - acta pessoal # 1

 

 

a Mozal anuciou que planeia exportar o seu SPL para a África do Sul !

 

no entretanto, a alumineira também confirmou ter lavado as mãos dos perigosos dejectos H:H e H:h

 

… passando a bola ao MICOA

 

acta pessoal # 1

Sobre Reunião pública de Partes Interessadas & Afectadas pela Mozal (18 Março 2004)

 

 

a manhã já voava em tons de alumínio - um bom augúrio - quando cheguei ao auditório das TDM pouco passava das 8:30. De imediato, apresentei-me ao controle Mozal onde me entregaram uma pasta com um bloco, uma esferográfica, um badge de identificação e um programa de reunião.

 

Não liguei muito à mensagem DANO ZERDO do badge porque já estava irritado com os parcos 20 minutos que a Mozal atribuía às questões do público – num programa de 3 horas, interrompível por um coffee break de 30 minutos. Esquizoide, comecei logo a pensar na hipótese da clássica golpada em reuniões deste tipo, sobretudo porque era notória a presença de alguns bajuladores profissionais ... e em número bastante para usurparem os 20 minutos de perguntas.

 

O auditório TDM estava repleto quando a reunião começou às 9 horas – sharp.

O público era interessantemente diverso – autoridades governamentais (incluindo o Governador da Província de Maputo, o Vice-Ministro do Ambiente e directores nacionais), alguns políticos, vários empresários prestadores de serviço à Mozal, os usuais brigadistas do croquette, e bastantes jovens e estudantes. Ao todo, à volta de 200 pessoas.

 

Ao longo de duas fastidiosas horas a Mozal embrulhou o seu peixe em lindíssimos foils de alumínio: uma empresa de sucesso, um dos big five das florestas de alumínio, um mega investimento de biliões de dólares, zero impostos em Moçambique, uma qualidade ambiental jamais vista ... blá blá blé blé.

 

Finalmente, eram 11 horas batidas quando a Mozal deu início à sessão de Perguntas e Respostas – altura em que accionei o video/gravador do meu flash drive.

 

Diligente, o mestre de cerimónias designado pela Mozal passou a varrer o auditório em cerrado escrutínio e, estranhamente, ele insistia em limitar as perguntas ao primeiro balcão – de onde vinham inócuas perguntas, e uma mão cheia de bajulações.

 

Só às 11:25 – a cinco minutos do final oficial desta sessão – foi concedida a palavra à plateia. O perigo de golpada era grande, e eu começava a pensar no plano B. Não por acaso, a primeira pergunta da plateia veio de um director do MICOA. Curiosamente, ele referia que o seu Ministério havia começado a receber um sem número de queixas populares contra a falta de chuvas na zona de Beluluane. Perguntas a que o MICOA não sabia responder – talvez a Mozal.

 

Da plateia começaram então a chover perguntas quanto às condições de trabalho e de saúde dos operários da zona de fornos ... e novas insistências quanto à secura que passara a morder as recentes culturas de mandioca.

 

Após 20 consecutivos minutos de braço no ar, o mestre de cerimónias Mozal concedeu-me finalmente a palavra. Foi quando coloquei algumas questões (ver acta pessoal # 2).

 

Contudo, as respostas apresentadas pelo director-geral da Mozal (Mr. Peter Wilshaw), e por outros 4 colaboradores seus, eram, em minha opinião, manifestamente insuficientes pelo que, e contra a vontade do mestre de cerimónias, voltei a insistir nas perguntas – e agora em inglês, não fosse o caso de a tradução simultânea ter inquinado as questões.

 

Cavalheiro, Peter Wilshaw tomou conta da condução da cerimónia e, educadamente, aceitou re-responder às perguntas admitindo não as ter percebido totalmente à primeira, na versão em português.

 

Vinte minutos de directo confronto depois, admiti então estar na posse das respostas que procurava - e sentei-me. Pude então constatar que o gravador havia funcionado bem.

 

A sessão de perguntas continuou então por mais 10/15 minutos, e da plateia vieram duas ou três importantes perguntas.

 

Por volta das 12:25, Peter Wilshaw encerrava a reunião admitindo que aquele não talvez não fosse o formato ideal para a discussão de alguns dos problemas ambientais enunciados. E prometeu pensar no assunto.

 

Um lauto almoço foi então servido aos convivas.

Estranhamente, não havia rissóis de alumínio.

 

josé lopes

 

maio 2004

 

Obsv: à hora de fecho desta edição xitizap # 12, o site Mozal (www.mozal.com)não havia ainda publicado as suas actas oficiais.

maio 2004

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