Cimentos Mozal

 

Como não moro perto, o anúncio da instalação de uma nova cimenteira junto à Mozal (Beluluane) foi uma das minhas boas notícias deste fim-de-semana.

 

Segundo o Notícias, o China Development Bank  (CDB) – um banco estatal chinês -, acaba de aprovar o plano de financiamento (USD 100 milhões) de um pujante investidor chinês que, a curto prazo, prevê injectar um milhão de toneladas de cimento num mercado com agudas carências … e induzidas especulações de preço.

 

De acordo com as autoridades, o sul de Moçambique - curiosamente não a zona das miragens barragistas - está a ser palco dos apetites de quatro outros investidores cimenteiros (China, Índia e Tanzânia). Entretanto, e embora pouco se saiba sobre estes investimentos, é possível deduzir que, no caso, eles estarão a sentir-se atraídos pelas facilidades fiscais oferecidas pela Zona Económica Especial de Beluluane (ZEE), e pela sua proximidade às barras eléctricas da Motraco/EDM - sem esquecer, naturalmente, todas as conveniências proporcionadas pela famosa lixeira de Mavoco.

 

Todavia, e embora eu ache bem que mil cimenteiras floresçam - e o investimento estrangeiro directo também -, passei boa parte do fim-de-semana a pensar na má-sorte que ultimamente tem perseguido a minha Querida Mozal – a alumineira de Beluluane.

 

Como se já não lhe bastasse o desvanecimento subsidiário e o apertão tarifário que a sul-africana Eskom a curto-prazo lhe imporá, a BHP Billiton vê-se agora confrontada com uma super-taxa de 40% sobre os seus lucros caso se materialize a reforma fiscal australiana – uma reforma que visa penalizar a exportação de fabulosos dividendos em favor do reinvestimento local.

 

No meio disto tudo, e para que mais se compusesse o ramalhete de urtigas, a Mozal passou também a saber que, muito em breve, em Beluluane, as suas (im)polutas grinaldas de lolita industrial virão a ser manchadas por múltiplas poeiras e emissões cimenteiras.

 

Cá por mim, só me resta esperar que nada disto vos leve a faltar à palavra quanto ao destino do vosso Spent Pot Lining (SPL), e passem agora a incinerá-lo nestes novos fornos cimenteiros.

 

Curiosamente, ocorreu-me até sugerir-te, Querida Mozal, que talvez valha a pena começares a pensar em deslocalizar o teu actual módulo II e o hipotético módulo III para o Chinde, por exemplo - caso em que, até eu, te ajudava a carregar uns lingotes.

 

josé lopes

 

maio 2010

 

 

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