Quem tem unhas …

 

Termina a 30 de Maio 2010 1) a primeira ronda de comentários aos pressupostos assumidos pelo Departamento de Energia da África do Sul quanto aos 29 parâmetros de entrada identificados como críticos para a modelação do próximo Integrated Resource Planning (IRP 2) - um plano que determinará a sequência de investimentos de geração e transmissão eléctricas na África do Sul durante as próximas décadas.

 

Esta primeira ronda de contactos com as entidades e empresas que atempadamente se registaram, segue-se à publicação de um extenso rol de cruciais informações (fact sheets) descrevendo a natureza, impacto, gamas de valores e outros indicadores relevantes sobre cada um dos 29 parâmetros de input, incluindo a importância que cada um deles terá na formulação final do IRP 2 cuja promulgação se anuncia para o último trimestre de 2010.

 

Este complexo processo de modelação segue-se ao recente descalabro dos anteriores planos de investimento que, concebidos sob um prisma de monopólio para-estatal Eskom, desprezaram a importância da convergência de interesses entre todas as partes interessadas na cadeia do valor eléctrico, e acabaram por enevoar, ainda mais, as já sombrias perspectivas eléctricas com que se depara a África do Sul.

 

O novo processo de preparação do IRP 2 segue-se também à radical alteração metodológica potenciada pela criação de um Painel Director abrigando independentes e representantes de partes interessadas e afectadas, e às novas directivas quanto ao iminente estabelecimento de um Operador Independente do Sistema que, para além de retirar à Eskom o seu privilégio de comprador exclusivo, permitirá nivelar a competitividade de vários Produtores Independentes (IPP) face à Eskom, num quadro tarifário que certamente abolirá os gigantescos subsídios cruzados que têm beneficiado as alumineiras BHP Billiton e outros elektro-intensivos sorvedores.

 

Embora não me entusiasmem as apostas centradas na mono-dependência de exportações massivas para a África do Sul, ocorreu-me que, fairness oblige, talvez não fosse má ideia alertar os putativos interessados locais (incluindo miraginais), quer quanto às complexas exigências propostas para cada um dos 29 parâmetros de input ao IRP 2, quer sobretudo quanto aos apertados prazos que estão em jogo - tudo isto admitindo que eles se registaram junto do DoE/SA em devido tempo, o que, em alguns casos, me cheira a assumpção pouco pacífica.

 

Seja como for, e para irmos vendo quem de facto tem unhas para a guitarrada, eu não quero que lhes falte nada - por isso sugiro que todos consultem este link oficial do sul-africano DOE.

 

E, se após o atento estudo desta avalanche documental, alguém me souber explicar por que carga de água a estatal EDM vai agora, precipitadamente, gastar 3.3 milhões de dólares US em 10 meses de consultoria externa antes que esteja minimamente clarificado o IRP 2 - uma das principais variáveis dessa equação -, favor explicar-me.

 

Este milionário desbaratar de fundos públicos EDM (3.3 milhões USD em extemporâneos estudos do Banco Mundial), para além de me parecer um crasso erro de timing, é sobretudo um puro desperdício de finanças públicas por parte de quem, não havendo pressa, não sabe esperar apenas 8 públicos meses para avaliar o caso IRP 2 África do Sul.

 

Entretanto, no stress-mãe-de-todas-estas-elektro-precipitações, as gaffes dos kVs de Tete cogumelizam-se.

 

josé lopes

 

maio 2010

 

 

ps 1 - The contract for a feasibility study for a transmission line between Tete province and Maputo has just been awarded to a consortium set up by Vattenfall Power in Sweden and Norway’s Norconsult AS. They put in the lowest bid of USD 3.33 million for the work and, in doing so, narrowly beat out a consortium formed by Trans-Africa Projects, a subsidiary of the South African power utility Eskom, and the French firm Ingerop which bid USD 3.47 million. The contract will last 10 months and is being financed by the World Bank on behalf of Electricidade de Mocambique. The future line will have a transmission capacity of 7,000 MW and is to carry output from the 1,300 MW Mphanda Nkuwa station as well as from Cahora Bassa Norte (800 MW) and Benga - in Africa Intelligence (april 2010)

 

ps 2 - hoje (19 de Maio), o DoE/SA prolongou o prazo original (23) para 30 de Maio

xitizap # 54

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