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chongoene docks


no Índico


os búzios ecoam antigas estórias de titânio e dunas de areias.


e de Kwale (Quénia) a Richards Bay e Xolobeni (RSA), passando por Madagáscar, ouvem-se muitos lamentos.

as Docas de Chongoene


Corridor Sands Limitada (CSL) faz jus ao nome !

e agora exige rasgar corredores mar adentro - construindo um exclusivo Porto no Chongoene.


o projecto de cais (tipo jetty) violentará a orla costeira de dunas - teoricamente sob protecção - e penetrará o mar por mais de 200 metros.


Numa duna logo atrás, a Corridor Sands implantará uma metálica teia de silos para escórias de dúbia benignidade. Tudo cercado por parkings desenhados para minérios e poeiras industriais diversas - e a céu aberto.


Por questões de maximização de saque, a WMC (Western Mining Corporation) concebeu as docas para uma carga equivalente a 2 meses de produção mineiro-industrial.


entretanto,

e muito para além da faixa de costa Xai-Xai - Chongoene - Chidenguele, a visão Corridor Sands (WMC) contempla novos pacotes de exóticos turismos. Numa gama que vai de eclipses de corais e reefs ...  a corridas de barcos junto às linhas de costa.


Nomeadamente, de navios class Handimax (40 000 toneladas) que escalarão Chongoene ao frenético ritmo de 2 cargueiros por semana (regime de pico). Numa outra variante, e caso a WMC exija maiores profundidades, esta actividade desportiva será então dominada por navios Panamax  (70 a 80 000 tons); para o efeito, à WMC bastará invadir mais uns larguíssimos metros mar adentro.

A menos que opte por dragar peixes, corais e linhas de reef - enfim, TUDO. É que, hoje em dia, nunca se sabe.


Importa notar que o marketing Corridor Sands é todo ele pimposamente multimedia. E no Chongoene a campanha combina uma série de novas imagens e sons - e muitas perplexidades.


num dos seus futurísticos folhetos, por exemplo, é possível detectar o ensurdecedor batucar de imensas de camiões. Transportando minérios e poeiras ao longo de um corredor privativo (66 km) ligando a mina de Chibuto às docas de Chongoene.


para os novos batuques a Corridor Sands contratará uma banda heavy metal com mais de 200 mega-veículos. Dia e noite, e a um ritmo que poderá ultrapassar mais de 10 composições por hora, estas frotas de camiões (42 metros de comprimento, 2.5 m de largura e peso bruto de 152 toneladas) emprestarão ao silencio uma alienígena sonoridade - em acrescento aos decibeis das escavadoras non-stop no Chibuto.


Tanto quanto sei, esta bizarra opção por um Porto Chongoene contraria frontalmente o espirito e letra das disposições governamentais quanto à protecção das costas de Gaza - nomeadamente as dos Ministérios do Turismo e Coordenação Ambiental.


Tanto quanto sei também, a licença anteriormente concedida à Corridor Sands (WMC) não abordava sequer a hipótese de docas no Chongoene. Tal licença previa que os fluxos de carga se fizessem ferroviariamente, via ramal de meros 86 quilómetros entre Chibuto e a grande linha CFM do Limpopo. Duzentos e vinte oito kilómetros depois, o titânio desembocaria no Porto Matola (Maputo) - que, aliás, está pronto a recebê-lo.


intrigantemente,,

e muito ao contrário do que se passa com a maior parte dos países que hoje hospedam areias pesadas - Quénia, Madagáscar e África do Sul por exemplo - em Moçambique todos estes complexos licenciamentos fluem com surpreendente facilidade. Surpreendente e perigosa.


Perigosa, porque, frequentemente, são estas ligeirezas que acabam por matar as galinhas - e os ovos de ouro. É pelo menos o que conta a velha história dos titânios.


José lopes


Chidenguele, abril 2004

xitizap # 11                      abril 2004


a opção inicialmente aprovada


para a exportação dos minérios de Chibuto (e importação de químicos vários) previa uma ligação ferroviária entre Chibuto e a grande linha do Limpopo (actualmente sob trabalhos de modernização)


Com 86.5 km, o ramal ligaria Chibuto à Aldeia da Barragem de onde o tráfego seguiria em direcção ao Porto Matola (Maputo) após 228 km de percurso.