xitizap # 11 | lágrimas de crocodilo | chongoene docks | memórias de Chibuto | titânio | elektro papos | astro stuff | a raça existe ? | pixels II | links & downloads

lágrimas de crocodilo


uma vez mais,

África saíu em defesa das Águas


e, para o efeito, uma African Water Facility foi especialmente criada na última cimeira UA - em Março 2004.


entretanto, nos corredores de Tripoli,

era insistente o apelo para que melhor se cuidasse deste precioso tesouro.


Ninguém duvida que o titânio do Chibuto pode e deve ser explorado. Mas também ninguém se atreverá a dizer que Corridor Sands poderá passar sem cuidados - e extremas unções.


Daí que cause estranheza o modo e o tempo, quiçá a ligeireza, como se vai abordando esta majestática penetração WMC (Western Mining Corps) nas soberanias de Gaza.


Sobretudo porque esta é uma intenção de radical alteração. E radical nem sempre é sinónimo de bom.


entretanto, e a fazer fé no que se vê, ouve e lê

no Chibuto há grandes perigos de derrapagem naquelas pesadas areias. Desde logo devido ao gigantismo que se pretende dar à escala da exploração mineiro-industrial.

Uma escala tão obtusa que poderá eclipsar a vida para além de minas - e aniquilar toda a anterior base de vida local. Que inclui turismo, agro-pecuária e pescas.


A meu ver, para além da escala do projecto - e da bizarra opção por um Porto Chongoene - há que rever com rigor os titânicos usos de águas dos Rios Changane e Limpopo.


Em particular as descargas.

Numa perspectiva que, para além do quantitativo, possa salvaguardar a qualidade das águas que restam para os outros.


Porque pobre não significa ser porco.

E vale a pena aqui lembrar que, mesmo no caso de outras economias pouco avançadas, quando se fala em titânio todas as introduções de directivas começam assim:


"De entre as indústrias que podem gerar problemas ambientais graves identifica-se a indústria de dióxido de titânio, cujos resíduos e águas residuais podem ter efeitos nocivos inaceitáveis nos meios em que são lançados.

...

Desta forma, deverão ser tomadas as medidas necessárias para garantir que a eliminação das águas residuais e dos resíduos gerados pela indústria de dióxido de titânio não ponha em perigo a saúde humana e não cause prejuízo ao ambiente, nomeadamente não crie riscos para a água, o ar ou o solo, a fauna e a flora, nem prejudique a natureza e a paisagem. O que igualmente implica a adopção das medidas necessárias e adequadas para promover a redução, a reciclagem e a transformação dos resíduos e das águas residuais ... "


Lamentavelmente, nenhum dos estudos que consultei me tranquiliza quanto a tais perigos.


E ocorre-me agora que Sam Wainaina poderia ter montes de razão quando, há 3 anos, e a propósito de areias pesadas em Kwale (Quénia) e Madagáscar, dizia que, sob o ponto de vista de licenciamentos ambientais, tudo isto parece um jogo onde a mais poderosa equipa nomeia o árbitro - que curiosamente é sempre o mesmo.

josé lopes


Rio Changane, abril 2004

rio Changane

xitizap # 11,   abril 2004

leia


Don't let Titanium become the Curse of Kwale


by Sam Wainaina

The East African (Nairobi - 2001)


titânio   directivas CEE